Fica em Porto Alegre uma indústria que vende equipamentos eletrônicos para aviões e helicópteros militares, a AEL Sistemas. A unidade tem 12 mil metros quadrados, empregando 460 funcionários, sendo que quase 200 são engenheiros que desenvolvem tecnologias para a produção no Brasil e no Exterior.
A AEL tem origem em 1982, quando uma divisão foi separada da Aeromot (empresa que construirá um complexo aeronáutico em Guaíba). Quase 20 anos depois, foi comprada pela Elbit Systems, de Israel.
São 3 mil produtos, vendidos às gigantes Embraer, Saab e Helibras (do grupo Airbus). Vem da exportação metade da sua receita anual, que está em R$ 250 milhões.
A empresa quer contratar mais 300 engenheiros. Nos planos, está um novo centro de desenvolvimento de tecnologia.
Em paralelo, o Exército analisa uma licitação que prevê a compra de R$ 1 bilhão de viaturas blindadas, vencida pela Elbit. O prazo foi ampliado em seis meses após veto do governo federal devido à guerra entre Israel e Hamas. O resultado da disputa já foi avalizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

A coluna esteve na fábrica da AEL Sistemas, em Porto Alegre, onde foi recebida pela diretoria. O podcast Nossa Economia, de GZH, trouxe entrevistas com executivos. Confira trechos abaixo e ouça a íntegra no final da coluna.
Presidente da AEL Sistemas, Gal Lazar
O que produzem exatamente?
O foco é eletrônica sofisticada para a aeronáutica, sistemas mais complexos que exigem conhecimentos especiais. São painéis, computadores e relógios vistos por quem entra em uma avião. É o que o piloto usa para conseguir voar.
Fazem o equipamento e também o software?
Sim, uma produção vertical com desenvolvimento, teste e produção completa. O equipamento sai daqui, é plugado no avião e funciona. E tem o suporte ao longo de todo ciclo de vida, o que é muito importante para nosso tipo de cliente, que demanda disponibilidade. Quando tem enchente, pandemia, em qualquer situação, ele quer o produto operando. Precisamos de uma engenharia forte para resolver qualquer problema.
Os engenheiros daqui são qualificados?
Nossos principais clientes estão na Europa, onde a exigência das grandes fabricantes de aeronaves, principalmente as militares, é muito grande. Nossos engenheiros nunca passaram vergonha em nenhum lugar, estamos vendo a capacidade deles.
Quais investimentos no plano?
Estamos trabalhando junto a alguns clientes para sermos ainda mais verticalizados, principalmente em aeronaves não-tripuladas e em sistemas de simulações. Um produto de grande demanda é o Data Link, de internet dentro de aeronaves. E temos ainda um andar para colocar um centro de desenvolvimento adicional. Está certo que vamos fazê-lo. A estrutura está desenhada.
Diretor da AEL, José Eduardo Klippel
Qual é a origem da AEL?
Ela era um laboratório de eletrônica dentro da empresa Aeromot, que fazia motoplanadores do outro lado do aeroporto de Porto Alegre. Tinha dois projetos grandes da Força Aérea que precisavam de eletrônica: o AMX, caça que o Brasil desenvolveu junto com a Itália na década de 1980, e o Tucano, o primeiro treinador da Embraer.
Qual o contexto da aquisição da AEL pela empresa israelense?
A Elbit teve dois grandes contratos com a Força Aérea Brasileira (FAB) e precisava desenvolver uma capacidade local para deixar os produtos funcionando 100% do tempo. Então, procurou empresas que tinham essa cultura de defesa e aeronáutica. A AEL tinha esse corpo de engenharia e produção para absorver a tecnologia.
E a ligação da AEL com o Gripen?
O Brasil selecionou em 2013 o Gripen, o primeiro caça de primeira linha da Força Aérea Brasileira. Neste projeto grande com a sueca Saab, a AEL foi selecionada para desenvolver os displays e o capacete do piloto. São usados tanto pelo Brasil quanto pela Suécia, para onde fornecemos. Tailândia e Colômbia anunciaram que estão comprando esse caça e vamos fornecer a eles aqui de Porto Alegre também.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)
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