Desde a reunião desse sábado (18) noticiada pela coluna até o início da noite deste domingo (19), mais de 10 entidades empresariais de Porto Alegre se dedicaram a construir uma carta com o posicionamento sobre as restrições de Porto Alegre para combater o coronavírus. Documento obtido pela coluna mostra que elas não apoiam o lockdown e nem a continuidade das medidas de isolamento atuais que determinam a suspensão de atividades econômicas. Querem a retomada dos negócios para breve e assim é finalizado o documento.
O texto começa direcionado aos cidadãos de Porto Alegre e, no decorrer, há um pedido à sociedade para que siga as orientações do isolamento. No entanto, em seguida, as entidades fazem um apelo também às autoridades, para que executem uma "justa adequação dos níveis de isolamento social". Lembrando que, ainda na sexta (17), vários representantes tiveram reunião com o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Junior, e saíram bastante desanimados, sem perspectivas de uma retomada dos negócios. Ele sinalizou depois em transmissão um possível lockdown a partir desta próxima semana na Capital. Talvez esperasse um apoio das entidades, mas isso não ocorreu. Já são quatro meses de abre e fecha; e os empresários com quem a coluna conversa não acreditam em uma capacidade de lockdown efetivo. Mas certamente a carta não é só para Marchezan quando fala em autoridade. Há uma contestação forte também em relação ao governador Eduardo Leite e a outros prefeitos gaúchos, lembrando que os empresários que integram as entidades não conduzem negócios apenas Porto Alegre.
Com diversos segmentos participam da carta, foi um trabalho delicado de construção. Lojistas e shoppings que não podem abrir, por exemplo, entendem que aplicam medidas de prevenção iguais ou maiores do que a indústria e supermercados, que, por sua vez, vendem itens não essenciais também. A construção civil, por sua vez, também se manifestou contra as suas restrições, mesmo com a continuidade de obras públicas.
Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA), Írio Piva confirmou que o texto recebido pela coluna (e colocado na íntegra abaixo) é a versão final da carta. Ainda estão aguardando outras entidades confirmarem que apoiam e, portanto, "assinam" o documento também.
- Acreditamos na retomada das atividades econômicas para o bem da cidade, dos empregos e da saúde. Sabemos do momento crítico que estamos passando. E, por isso, apelamos à comunidade para que respeite as orientações das autoridades de saúde para que possamos preservar vidas e retomar as atividades o mais rápido possível, evitando mais desemprego e fechamento de empresas - complementou o presidente da CDL POA.
"Aos cidadãos de Porto Alegre
Diante das medidas restritivas que há mais de 100 dias vigoram na nossa cidade, decretadas em face do combate à Covid-19, as entidades abaixo assinadas, representando setores de extrema importância para a nossa economia, manifestam à sociedade porto-alegrense:
1. Ratificar o nosso compromisso de respeito à ordem pública, seguindo as determinações expressas nos diferentes decretos estaduais e municipais, que buscam, assim esperamos, preservar a saúde e a vida da população de nossa cidade;
2. Continuar a adotar, como temos feito desde o princípio da Pandemia, todos os protocolos sanitários para o funcionamento dos estabelecimentos dos nossos associados. Locais onde, ressaltamos, não há registro de foco de contaminação pelo Coronavírus, até a presente data;
3. Reiterar que, embora fieis ao compromisso colaborativo, a suspensão das nossas atividades, por um período superior a 100 dias, já representa um grau de sacrifício de recursos que superam a capacidade de sobrevivência das empresas que sofreram restrições à sua atividade. Neste sentido, os segmentos essenciais que mantiveram-se abertos e que assinam a presente carta, solidarizam-se com os demais setores que tiveram sua atuação restringida neste período. Associa-se a isto, o fato de que a manutenção de restrições tão severas às atividades produtivas, também acarreta riscos de consequências desastrosas para a economia, para a preservação e geração de empregos e, por conseguinte, da saúde e da vida..
Por fim, na expectativa de conciliarmos os interesses que são comuns a todos, solicitamos aos cidadãos e demais habitantes de Porto Alegre que colaborem no sentido de respeitarem os níveis de isolamento social instituídos bem como solicitar, ainda, às autoridades constituídas, a melhor e justa adequação dos níveis de isolamento social, dada a importância de superarmos, com brevidade e de forma organizada, o momento grave que atravessamos, colaborando, cada a um a seu modo, para a urgente retomada das nossas atividades.."
Acompanhe mais informações, como a lista das entidades que assinam a carta.
Colunista Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Colaborou Daniel Giussani (daniel.giussani@zerohora.com.br)
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