Assista à minha opinião no vídeo acima.
Para conseguir uma cadeira na plateia do debate da Gaúcha, nesta quinta-feira (6), na PUCRS, o ouvinte interessado precisou responder por escrito a uma pergunta: por que debates são importantes no processo eleitoral? O teatro do Prédio 40 encheu de gente capaz de justificar, com argumento, a importância de um debate. Mas lá no palco, os candidatos passaram boa parte da manhã justificando a importância um do outro.
Juliana Brizola abriu chamando Luciano Zucco. Depois, Zucco chamou Juliana. E assim seguiu, com os dois se convocando na maioria das rodadas, se tratando com cordialidade suficiente para parecerem civilizados e se atacando o suficiente para parecerem adversários. Cada convocação entrega aos dois a mesma mercadoria, que é a imagem de uma eleição com apenas duas cadeiras na mesa e paisagem no resto do palco.
Quando não estavam ocupados um com o outro, os dois cercaram Gabriel Souza. O emedebista foi o primeiro a subir o tom, acusou Zucco de afirmar com convicção aquilo que está errado e virou para ele com um convite direto: quer falar de mim, me chama. Provocado de frente, Zucco, na sequência, chamou Juliana de novo.
O que disseram os colunistas sobre o debate
Tudo isso contra um candidato que tem 6% na pesquisa Quaest divulgada dia 30 de julho. Na Paraná Pesquisas de julho, contratada pelo próprio PL, ele aparece com 13%. E 73% dos gaúchos dizem não conhecer Gabriel Souza. Apenas 15% sabem quem é o candidato apoiado por Eduardo Leite.
Ninguém gasta munição com quem não existe. Zucco e Juliana não estão olhando para a pesquisa desta semana, estão olhando para o palco da convenção de sábado, onde Souza subiu com uma porção de partidos atrás dele. Coligação grande vira tempo de rádio e de televisão, e desconhecimento é o único problema eleitoral que tempo de tela resolve rápido.
É justo reconhecer que a invisibilidade de Souza não é preguiça dele, é do cargo. A vice-governança é uma função definida pela ausência dos outros, e o RS já viu isso funcionar. Em 2022, Eduardo Leite renunciou para tentar a Presidência e entregou o Piratini ao vice, Ranolfo Vieira Júnior, que governou o resto do mandato. Desta vez Leite ficou até o fim, e o vice fez a pré-campanha inteira do banco do carona, com um mandato inteiro de governo nas costas e poucos minutos de Palácio no currículo.
O problema é o que esse arranjo produz. O Rio Grande do Sul chega a outubro com um saldo de governo que merecia ser disputado com seriedade mas que não foi disputado por ninguém.
O Ideb saiu na véspera do debate. O Estado melhorou em todas as etapas e subiu da 15ª para a 5ª posição no ensino médio, com nota 4,9. No mesmo período, a rede estadual mantém a progressão parcial, aquela regra que permite ao aluno avançar de ano devendo até 4 disciplinas em no máximo 2 áreas do conhecimento. Seus adversários chamaram isso de aprovação automática, e Souza respondeu que aprovação automática não existe no Estado. Os dois têm razão em metades diferentes, e a discussão morreu no nome da regra sem chegar à regra.
Sobrou também o resto. Falou-se de porto, de hidrovia, de ferrovia e de aeroporto em Caxias do Sul, e ninguém mencionou que o leilão do Bloco 2 de rodovias, marcado para junho, foi cancelado porque nenhuma empresa se apresentou. Mudança climática, o assunto mais sensível do Estado depois de 2024, ficou restrita a Souza e a Marcelo Maranata, os dois menos competitivos nas pesquisas. Maranata, aliás, disse que quer ser levado a uma obra da reconstrução porque não conhece nenhuma.
O governo que produziu esses números, essa portaria e esse leilão vazio não foi defendido com convicção nem atacado com precisão. Um lado prefere não ser cobrado enquanto é desconhecido. O outro prefere gastar a manhã se elegendo finalista.
Do lado de fora do teatro, 83% dos gaúchos não sabem dizer, sem que apresentem nomes, em quem votam para o governo do Estado. Mesmo com a lista na mão, 31% seguem indecisos. Em 4 de outubro, o eleitor será chamado a aprovar ou reprovar quatro anos de governo do Rio Grande do Sul. Antes disso, vai precisar descobrir quem governou. No que depender dos adversários de Gabriel Souza, ele será devidamente apresentado.










