
Que alegria poder escrever isso hoje. Que alívio começar o dia falando sobre um cessar-fogo, e não sobre mais um bombardeio. O presidente americano, Donald Trump, anunciou que o Hamas concordou com a primeira fase do plano de paz proposto por ele na semana passada.
Um dia depois desse inferno completar dois anos – uma guerra que cegou o mundo e destroçou a vida de palestinos e israelenses –, finalmente se enxerga um ponto de luz. E não é um milagre, apesar de estarmos em meio às grandes festas judaicas. É o resultado de muita pressão diplomática, de conversas duras e de um raro momento de consenso num mundo que anda tão fragmentado.
O documento foi assinado sob mediação internacional, com compromissos claros: cessar os canhões, libertar os reféns israelenses que estão há mais de 700 dias nos túneis de Gaza – sendo dezoito deles, mortos –, retirar as tropas israelenses do enclave palestino e liberar a entrada de toda ajuda humanitária. Cada linha do texto é um suspiro de esperança, mas é também um teste. Porque todo acordo, pra ser verdadeiro, precisa ser cumprido. E quando se trata do Hamas, o esperado é sempre o pior.
Mas, ao contrário do que prevê nosso quase instintivo pessimismo judaico, hoje, me permito ser um pouco otimista. Apesar do receio de que tudo possa desmoronar de novo, a perspectiva de ver reféns voltando para casa e palestinos retomando sua dignidade é um presente sem tamanho para quem ainda acredita na humanidade acima de qualquer ideologia.
A alegria é imensa, principalmente porque em tempos de ódio, ver gente escolhendo a paz é um ato de coragem. Ao longo dos últimos dois anos, repetimos que a paz só chegaria quando os reféns voltassem para casa. Mas houve quem preferisse gritar por uma intifada global e pela morte de judeus, em vez de pedir aos terroristas do Hamas que devolvessem os sequestrados.
Hoje, isso pouco importa. Hoje é dia de respirar e de lembrar que, depois de tanta escuridão, qualquer resquício de luz já é um milagre.
E como disse Donald Trump, ao celebrar o acordo: “Abençoados aqueles que promovem a paz.” Hoje, é um desses dias em que o mundo volta a acreditar nisso.





