
O Supremo virou o novo campo de batalha da política brasileira e, como sempre, o presidente Lula está no centro do fogo cruzado. A cadeira deixada por Luís Roberto Barroso ainda nem esfriou, e o país já está exausto da discussão sobre quem deve sentar ali.
Cada nome que surge é uma pequena tese sobre o Brasil. Jorge Messias, o “Bessias” da era Dilma, representa o PT raiz: fiel, disciplinado, com trânsito direto no Planalto e, curiosamente, evangélico. Um detalhe que, se viesse de outro campo político, renderia horas de indignação nas redes, como foi quando Jair Bolsonaro indicou André Mendonça por ser “terrivelmente evangélico”, o que é um péssimo critério para a escolha de um ministro. Mas para a militância, tudo o que vem do governo parece virtude. O problema é que Messias carrega na testa o selo da lealdade e o Supremo anda sensível a qualquer cheiro de aparelhamento.
Do outro lado está Rodrigo Pacheco, o mineiro que virou fiador institucional do país nos piores dias da República. Tem o respeito do Senado, é discreto, ponderado e amigo de Davi Alcolumbre, o verdadeiro operador dos destinos de Brasília. Mas Lula sabe fazer conta: se enviar Pacheco para o STF, perde o único aliado competitivo que o PT tem em Minas Gerais para 2026. E eleição, no Brasil, pesa mais que doutrina.
Aí entra Bruno Dantas, ministro do Tribunal de Contas da União, um nome que parece feito sob medida para quem quer evitar sustos. Tem boa relação com o mercado, com o Supremo e com o próprio Planalto. É como se fosse um “Centrão togado”, no melhor dos sentidos, porque não se aproxima de extremo nenhum. É o tipo de técnico que agrada a quem já cansou da militância de toga.
Lula, como sempre, se vê dividido entre o coração, a cabeça e as urnas. Entre a fé de Messias, a política de Pacheco e a técnica de Dantas.
Há ainda a pressão legítima por uma mulher, lembrando que o STF teve apenas três ministras em mais de um século de existência. Mas, no fim, o que pesa mesmo é o fator humano, a confiança de Lula num nome que, uma vez lá, não vire uma nova fonte de surpresas.
O Supremo depois de Moraes, Barroso e Dino caminha para uma nova era. A dúvida é se será de conciliação ou de confronto, de sobriedade ou de espetáculo.
E talvez o sintoma mais revelador dessa crise seja o cansaço. Barroso ainda nem saiu da cadeira, e o país já suspira por um desfecho. Um lado quer uma mulher progressista, outro quer um técnico garantista, e o cidadão comum só queria alguém que não desse entrevista depois do julgamento.
Se Lula indicar Messias, dirão que é aparelhamento. Se escolher Pacheco, será conchavo. Se optar por uma mulher, dirão que é pressão. Resta Dantas, que talvez agrade por ser justamente o meio-termo num país que desaprendeu a gostar de meio-termo.
A essa altura, a vaga podia ser decidida por sorteio no TCU. Pelo menos seria mais rápido e, quem sabe, menos ideológico.





