
Há momentos na política internacional que não exigem grandes análises geopolíticas. Exigem apenas o uso básico do raciocínio. Um presidente estrangeiro impõe uma tarifa punitiva de 50% sobre produtos brasileiros — o que representa um ataque direto ao agronegócio nacional, à nossa economia, à nossa competitividade global — e parte dos brasileiros aplaude.
Não por acharem a medida justa. Nem por defenderem o protecionismo americano. Aplaudem porque quem impôs a tarifa foi Donald Trump, e quem está no Planalto é Lula. A lógica é simples e triste: se o prejuízo parece cair no colo do adversário político, então que venha o prejuízo.
O nome disso não é conservadorismo. Nem liberalismo. Nem patriotismo. É sabotagem emocional disfarçada de ideologia. É a política do “quanto pior, melhor” levada ao seu grau mais infantil e autodestrutivo. Um nacionalismo de conveniência, que grita por “Pátria, Deus e Família” na esquina, mas se curva à bota americana assim que ela pisa com raiva.
Trump está sendo Trump. Hostil, populista, desequilibrado, coerente consigo mesmo. Mas o que assusta não é o gesto do americano, é a reação dos brasileiros. A alegria do vira-lata que, pela primeira vez, não se envergonha de sê-lo. Que acha lindo quando o país é tratado como sub colônia, desde que isso sirva para punir quem hoje ocupa o cargo que ele odeia.
É claro que Lula tem colaborado para o desgaste da própria imagem internacional. A visita à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, condenada por corrupção e atualmente em prisão domiciliar, é um exemplo claro disso. Mas é possível criticar Lula — duramente, inclusive — e ainda assim defender o Brasil. É possível ser oposição sem torcer pela destruição.
Só que há uma parte do país que já não quer mais discutir política, quer vingança. E se essa vingança vier na forma de prejuízo econômico, perda de soberania, ou humilhação internacional, que seja. Desde que o outro lado sangre, o país que se dane.
Nesse teatro tosco, o único personagem que não engana ninguém é Trump. Ele defende os interesses dele. Do jeito dele, no tom dele. Errado, brutal, mas coerente. Incoerente é o brasileiro que torce por um estrangeiro tresloucado punindo o próprio país só para satisfazer a sua velha e confortável raiva de estimação.




