
Não marque nada para este 15 de setembro. É o dia em que o país viverá uma superterça de suspense e, se tudo correr bem, de enorme depuração. Depois de todas as hesitações e manobras protelatórias bem próprias de sua personalidade, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, finalmente convocou uma sessão plenária em que a Corte terá de decidir se autoriza a abertura de investigação contra um de seus mais poderosos ministros. Os indícios de crimes que pesam contra Alexandre de Moraes são gravíssimos, mas nada têm de novidade — arrastam-se desde o início do ano nas ruas e nos cafés. Se Moraes sobreviveu até aqui no cargo, e seguiu perseguindo e encarcerando manifestantes dos atos de 8 de Janeiro sob aplausos e bajulações de escolas de direito como a da USP, é porque tem conexões profundas com o estamento oligárquico que lhe deu poderes extraordinários a partir de 2019. A grande notícia, porém, é que pela primeira vez, nestes sete anos e meio, estará na condição de suspeito diante de seus próprios pares e sob os olhos da nação. O dia tão esperado chegou, e é nesta terça-feira (15).
Aos fatos. Um relatório da Polícia Federal entregue ao ministro André Mendonça, relator do processo que corre no STF sobre as falcatruas do extinto Banco Master, identificou Moraes como o homem que atuava nas sombras do poder como serviçal do banqueiro Daniel Vorcaro. Presenteado com honorários inimagináveis, sob a forma de um contrato de R$ 131 milhões que o Master firmou com o escritório jurídico de sua família, Moraes não deu qualquer explicação sobre as condutas que o relatório da Polícia Federal atribui a ele, como proteger o seu enrolado “patrão” do cerco que se fechava sobre o Master por obra de agentes do Banco Central, da polícia, do Ministério Público e até mesmo do Judiciário. Mais grave ainda: é Moraes o suspeito de obter e repassar a Vorcaro informações sigilosas que quase comprometeram o cumprimento de um mandado de prisão, na noite de 17 de novembro. A equipe da PF catou o banqueiro no aeroporto de Guarulhos, quando ele estava prestes a deixar o país em seu jatinho.
O longo silêncio de Moraes desde a eclosão do escândalo, em dezembro, é uma confissão de culpa. E a inação do STF para cobrar satisfações de Moraes é uma admissão de tibieza de seu presidente, Edson Fachin. O vácuo de autoridade que se criou a partir da atuação opaca e sussurrante de Fachin estimulou os baixos instintos de ministros sedentos de poder, a começar pelo decano, Gilmar Mendes, espécie de supremo caudilho, e Flávio Dino, outro peso-pesado dos cambalachos políticos, e que sonha com a cadeira de presidente da República assim que o lulopetismo se tornar órfão de seu líder.
Por falta de espaço, vou direto a meu prognóstico: o câncer será extirpado na terça-feira. Mas deixará metástases.



