
Desde março, Lula tentava. Queria um encontro com Donald Trump para dissuadi-lo da obsessão de enquadrar o Comando Vermelho e o PCC, hoje uma multinacional brasileira do crime, infiltrada em 18 estados norte-americanos, como organizações terroristas estrangeiras. Mais do que afastar esta ameaça, que lhe tira o sossego, Lula buscava uma foto com Trump para usar na campanha à reeleição.
O fracasso do Itamaraty no agendamento era esperado: Trump sequer designou, até hoje, um embaixador dos EUA para o Brasil. Então, Lula decidiu virar o jogo. Recebeu no Alvorada Joesley Batista, o líder do grupo J&F, colosso empresarial que se formou na estufa dos governos petistas. Segundo a CNN, Joesley pegou o celular e, na frente de Lula, ligou para o número pessoal de Trump. Foi atendido no terceiro toque. Em uma semana, a operação “Desenrola” surtiu efeito, e os dois presidentes se avistaram. Na chegada, Lula tentou um abraço. Trump deu um passo para trás.
Doador de 5 milhões de dólares para o comitê de posse de Trump, e de outra generosa quantia para a produção de um documentário sobre Melanie Trump, Joesley faz uma carreira como um diplomata das sombras. Furou o bloqueio das instituições americanas que aplicaram a Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes, por violação de direitos humanos, e, daquele seu jeito, convenceu Trump a suspender a aplicação de sanções financeiras contra o ministro que arrastou o STF para o descrédito e a ojeriza popular. Joesley já havia cumprido a missão – não se sabe se a serviço de Lula, de Trump ou como um agente duplo – de desafiar as tensões no espaço aéreo venezuelano para convencer o ditador Nicolás Maduro a deixar o poder.
Depois da captura de Maduro pelos EUA, voltou a Caracas para falar não se sabe o que com a nova presidente, Delcy Rodriguez. Sob o governo Lula 3, ele adquiriu negócios de petróleo na Venezuela, mas a J&F não fala. E o Itamaraty se cala. Pior: indagado sobre o suporte que deu aos movimentos de Joesley na Venezuela, o ministério das Relações Exteriores colocou todas as evidências sob sigilo diplomático por cinco anos.
Na Lava Jato, Joesley confessou ter distribuído propinas a rodo para políticos corruptos que controlaram o governo e o parlamento desde meados dos anos 2000. O STF se encarregou de anular todas as provas, inclusive a delação de Joesley dando conta de que abriu duas contas no exterior, uma de “80 milhão (SIC) para Lula e outra de 70 para Dilma”. Nos EUA, onde ainda existe Justiça, terá de se explicar sobre manipulação dos preços da carne e formação de cartel. Lá, em 2020, o oligarca brasileiro se declarou culpado de ter usado contas norte-americanas para pagar propina a autoridades brasileiras.
Pagou multa de 256 milhões de dólares e foi em frente. Mas está fichado. E outra vez sob investigação.





