
Em 2019, dois agentes da Receita Federal acionaram um software de fiscalização, o ContÁgil, que cruzou bancos de dados em busca de agentes públicos que, entre outros critérios, tivessem patrimônio familiar acima de R$ 5 milhões e apresentassem “inconsistências graves” em declarações fiscais. A lista gerada automaticamente pelo software trouxe os nomes de 133 contribuintes, entre os quais resplandeciam as esposas de Gilmar Mendes, Guiomar, e de Dias Toffoli, Roberta Rangel – ambas advogadas com causas em tramitação no STF.
Foi o bastante para que Toffoli, então presidente do STF, abrisse um inquérito ilegal e o entregasse, também de forma irregular, ao ministro Alexandre de Moraes, que logo determinou o afastamento dos servidores. De quebra, mandou censurar uma reportagem intitulada “O amigo do amigo do meu pai”, que expunha o papel de Dias Toffoli, ao tempo em que era Advogado Geral da União, nos acertos nada republicanos entre Lula e Emilio Odebrecht, réu da Operação Lava Jato. Estava nascendo o “Inquérito das Fake News” (4781), que completará 7 anos em março sem conclusão alguma e sem nenhuma transparência sobre quem caiu em suas malhas e por quê.
No apagar das luzes de 2025, a dobradinha Toffoli-Moraes voltou à ribalta do teatro de absurdos em que se transformou o Brasil sem lei. A esquisita e atrapalhada atuação de Toffoli no caso que envolve a liquidação do Banco Master produziu, entre juristas e observadores mais lúcidos, a impressão de que seu propósito é abafar o caso que envolve o maior golpe financeiro registrado no país ou conduzir as apurações de modo enviesado – em favor da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro e em questionamento à decisão da autoridade monetária, o Banco Central. O BC tem, sim, explicações a dar, mas não no sentido de por que agiu para liquidar o Master, e sim de justificar sua inércia enquanto o banco de Vorcaro iludia os brasileiros – com a cumplicidade de outros bancos – vendendo CDBs com promessa de ganhos irreais, em operações que, desconfia a Polícia Federal, tenham conexão com lavagem de dinheiro do crime organizado.
Moraes, por sua vez, tem suas digitais na confusão. Além do inexplicável contrato de R$ 129 milhões que o escritório jurídico de sua esposa, Viviane, firmou com o Master, o carrasco de Clezão e outros brasileiros sem culpa provada nos atos de 8 de janeiro não explicou de modo convincente os contatos que fez com o Banco Central para, segundo noticiou a imprensa, bisbilhotar as apurações que a autarquia realizava sobre o Master.
Moraes e muita gente graúda de Brasília tentam desvencilhar-se de Vorcaro, hoje um homem-bomba. Se conseguirem, mereceremos o título de manés, como diria Luís Roberto “Nós derrotamos o bolsonarismo” Barroso.



