
No concorrido evento que o SBT promoveu na sexta-feira (12) para lançar o canal de notícias SBT News, Lula compareceu para desfilar, no palco, seu júbilo com a decisão de Donald Trump de retirar o nome do aliado Alexandre de Moraes da lista de alvos da lei Magnitsky por violação de direitos humanos. Não foi uma "absolvição". A retirada do bloqueio financeiro e patrimonial de Alexandre e família permanece envolta em mistério, e se supõe que Trump, negociador emérito, cobrará de Lula algo que até agora só é conhecido pelo presidente e pelo oligarca brasileiro Joesley Batista, interlocutor de ambos e, também, do ditador venezuelano Nicolás Maduro.
A surpresa no evento foi a presença de Moraes. Afinal, ninguém que quer evitar perguntas embaraçosas comparece à inauguração de um canal de notícias. A menos, claro, que tenha a garantia de que estará blindado e totalmente a salvo da abordagem de repórteres de verdade, ilusão que, no mundo do jornalismo independente, é quase como colocar a cabeça dentro da boca do leão e contar com a benevolência da fera. Mas foi o que fez Moraes, confiante de que o bicho até tinha juba, mas não tinha dentes. Foi lá, deitou falação sobre o papel da imprensa "livre", "séria" e "competente", mas não disse uma palavra sequer sobre o único assunto que poderia dar algum propósito republicano à sua presença ali: a descoberta, pela Polícia Federal, de um contrato absolutamente inexplicável pelo qual o liquidado Banco Master se comprometia a pagar R$ 129 milhões ao escritório da esposa dele, Viviane Barci de Moraes, para fazer exatamente nada. O que significa fazer tudo. Tudo aquilo que não pode ou não convém ser descrito objetivam
Um contrato vago, aliás, pelo qual Viviane, que comanda o escritório Barci de Moraes com os filhos, faria gestões no Banco Central e no parlamento brasileiro, encargo mais assemelhado à atividade de lobby que à prestação de serviços advocatícios. Mesmo advogados ligados a bancas renomadas viram com perplexidade a dinheirama paga a um escritório sem maior expressão jurídica.
Imperturbável, Viviane ouviu o discurso do marido celebrando a "liberdade", a "seriedade" e a "competência" da imprensa. Depois, circulou com Moraes durante um coquetel de networking VIP e o viu cochichando algo para Lula, com a mão cobrindo os lábios. E tudo isso sem que nenhum jornalista "livre", "sério" e "competente" aparecesse na frente dela, e principalmente dele, para perguntar...
— E os R$ 129 milhões?
É a pergunta que todo brasileiro consciente, com ou sem diploma de jornalismo, traz na ponta da língua há duas semanas.
— E os R$ 129 milhões?






