
É comovente o esforço que faz a jornalista gaúcha Ana Maria Cemin para documentar a via crucis percorrida por brasileiros vitimados pela grande farsa político-jurídica do 8 de janeiro. Desde 2023, ela se dedica a escutar e amplificar as vozes dos que gritam por socorro, enfrentando com estoicismo a cortina de ferro da indiferença e da pusilanimidade. Em seu mais recente ato de insubordinação contra as injustiças perpetradas pelo regime PT-STF, ou melhor, STF-PT, Ana levantou o extenso rol de mulheres que estão presas em razão de absurdas condenações por crimes como, por exemplo, tentativa armada de deflagrar um golpe de estado no Brasil — sem arma alguma e, principalmente, sem a mais pálida noção do que vem a ser “abolição violenta do estado de direito”. E, tampouco, sem qualquer indício de pertencer a uma “associação criminosa”.
Os casos são muitos, e o que mais ganhou notoriedade foi a da cabeleireira Débora dos Santos — a moça “armada” de batom que o STF condenou a 14 anos de prisão. Ela foi trancafiada “preventivamente” por mais de dois anos, e o apelo inútil que os seus dois filhos pequenos fizeram por “clemência” para a mãe foi registrado aqui mesmo (O pequeno Rafa e o carrasco). Agora, Ana Maria Cemin arrola as situações de outras mães que estão apartadas de seus filhos menores. Como são “mães solo”, no dizer de Ana, pode-se considerar que a pena a elas imposta, além de injusta, é particularmente cruel por castigar crianças inocentes. Um pontapé na lei.
Por limitação de espaço, fixo-me em Camila Mendonça Marques, de 37 anos, condenada — Deus! — a 17 anos de prisão em regime fechado, mais do que a pena dada a um número considerável de traficantes e homicidas. Ela é mãe de uma menina de 7 anos, Clara.
— A Camila é portadora de uma doença grave, incurável, que está registrada oficialmente em laudo da penitenciária feminina de Criciúma, onde ela está presa desde março de 2024” — conta-nos Ana.
A defesa de Camila está fazendo à Procuradoria-Geral da República todos os alertas sobre risco de morte. Tudo em vão. Impossível não pensar em Cleriston Cunha, que morreu na prisão. Além de inocente, Clezão tinha sérios problemas de saúde. A PGR alertou o ministro do STF, Alexandre de Moraes, que engavetou os laudos médicos até o dia em que sua vítima desabou, agonizante, no solo do presídio da Papuda.





