
O deputado federal Pedro Aihara (Patriota-MG) apresentou um requerimento com pedidos de informações e esclarecimentos sobre o funcionamento e a estrutura de beneficiários finais dos fundos de investimento da LCP Gestora de Recursos com exposição aos direitos comerciais do futebol brasileiro, em especial diante dos indícios de irregularidades associados ao fundo Astralo 95, investigado no âmbito do caso do Banco Master.
O documento foi enviado ao Ministro da fazenda, Fernando Haddad, para que a informação seja passada junto ao presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A justificativa é de que existem notícias veiculadas por órgãos de imprensa de referência nacional com indícios de que o empresário Daniel Vorcaro adquiriu debêntures conversíveis emitidas pela empresa Sports Media SA, no valor aproximado de R$ 30 milhões, conferindo-lhe exposição econômica sobre os direitos comerciais e de transmissão da FFU.
O Banco Central do Brasil encaminhou ao Ministério Público Federal comunicado formal identificando o Astralo 95 como um dos seis fundos suspeitos de participação em esquema de desvio de recursos do Banco Master.
A FFU, da qual o Inter faz parte, e o Grêmio deverá entrar, é uma liga que reúne mais de 30 clubes das séries A e B para negociar coletivamente os direitos de TV e outros direitos comerciais das competições que participam.
A solicitação do deputado é para que a CVM informe se os fundos investigados figuram como cotistas diretos ou indiretos de veículos ligados à aquisição destes direitos. Além disso, também foi feito um pedido sobre a regularidade dos fundos e os mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro aplicados nas estruturas de investimento.
Pela apuração do site Poder360, o fundo Astralo não consta na base direta de investidores da Sports Media, empresa ligada à estrutura financeira que investe na exploração comercial dos direitos comerciais da FFU.
Em nota, a Sports Media Entertainment descartou ter relacionamento com Vorcaro.
Sports Media Entertainment (SME), investidora e parceira estratégica dos clubes, esclarece que a companhia, seus administradores e seus acionistas jamais mantiveram relação comercial, contratual ou societária com Daniel Vorcaro.
Em janeiro de 2025, a SME tomou ciência, via matéria publicada pela Folha de S.Paulo, de um suposto investimento indireto, mencionado na referida reportagem, do fundo Astralo 95, de titularidade de Daniel Vorcaro, em debêntures emitidas pela companhia.
A SME investiu até o momento mais de R$ 2 bilhões em favor dos clubes da FFU por meio de três fundos. Dois deles, geridos pela LCP, têm sociedade na SME. Seus cotistas são conhecidos tanto pela FFU como pela administração da empresa.
O terceiro fundo, que adquiriu as referidas debêntures, levantou recursos no mercado de capitais por meio de veículos distribuidores (feeders) de cotas de investimento. A SME não tem acesso à base de cotistas desses distribuidores, conforme prática usual em operações estruturadas no mercado de capitais, mas pode afirmar que são cerca de 8 mil investidores.
Se confirmado o investimento de R$ 30 milhões do fundo Astralo 95 em um dos feeders, ele representaria cerca de 1,5% do montante até agora investido pela SME.
A SME conduz suas operações em estrita observância às normas do mercado de capitais e aos mais elevados padrões de governança, permanecendo à disposição das autoridades e órgãos competentes para quaisquer esclarecimentos.
Veja a íntegra do requerimento do deputado Pedro Aihara para o Ministro da Fazenda Fernando Hadad:



