Vim aos Estados Unidos para viver o extraordinário da Copa do Mundo. Só não imaginava que ele apareceria tão longe de um estádio.
Quando soube que passaria alguns dias em Seattle por causa do Mundial, confesso que foi a cidade que menos despertou expectativa. Nunca tinha sonhado em conhecê-la. Hoje posso dizer com tranquilidade que quero voltar como turista.
Só que a experiência mais incrível que vivi ali não aconteceu caminhando pelas ruas. Aconteceu em um hidroavião.
Antes mesmo da decolagem, tudo já parece diferente. Desde a entrada em um avião que está flutuando na água até o começo do deslocamento pelo Lake Union.
O hidroavião passa perto de pessoas nadando, caiaques, barcos e outras embarcações. É uma cena curiosa. A gente está acostumado a ver avião andando em pista de asfalto, não em um lago.
Até que o piloto alinha a aeronave, acelera e decola.
Lá de cima, dá para entender por que o hidroavião faz tanto sentido naquela região. A cidade é cercada por lagos, baías e pelo mar. Algumas casas parecem ter sido construídas sobre a água. Muitas têm um píer particular ou espaço para atracar um barco. Água e cidade convivem o tempo todo.

O voo passa pelo centro, bem perto dos prédios. Dá para ver o Lumen Field, palco da Copa do Mundo, a Space Needle, principal cartão-postal da cidade, a ponte flutuante sobre o Lake Washington, marinas, navios e bairros inteiros cercados de verde.
Também aparecem os campos de futebol espalhados pelos bairros, reflexo da forte imigração latina e da cultura do futebol que tomou conta da cidade.
Sentei ao lado do piloto. Vi todo o procedimento de camarote. O voo dura cerca de 25 minutos e é extremamente tranquilo. Em nenhum momento dá sensação de insegurança. Pelo contrário. Como o hidroavião foi feito justamente para operar na água, tudo acontece com muita naturalidade.
E aí vem outro momento impressionante: o pouso.
Durante a descida, fiquei imaginando como seria tocar a água. O avião encosta na superfície com uma suavidade impressionante. Depois continua deslizando lentamente até chegar ao ponto de desembarque, onde a equipe prende a aeronave para os dez passageiros descerem.
O mais curioso é que, para muita gente dali, aquilo não tem nada de extraordinário. Não é turismo. É transporte.
Assim como nós chamamos um carro por aplicativo, muita gente usa o hidroavião para trabalhar, visitar as ilhas da região ou simplesmente voltar para casa. Faz parte da rotina de Seattle há mais de um século. E foi justamente às margens do Lake Union que William Boeing começou a escrever um capítulo importante da história da aviação mundial.
Fui a Seattle para cobrir uma Copa do Mundo. Voltei com Seattle na minha lista de cidades para visitar de novo. Seja para voar de hidroavião outra vez ou para assistir a um jogo do Seattle Sounders.
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