
O Egito saiu revoltado, falou em campeonato direcionado e transformou a atuação do francês François Letexier em mais um capítulo da teoria de que a Argentina está sendo favorecida na Copa do Mundo.
Só que, lance por lance, a arbitragem acertou nas principais decisões do jogo. Se você estava torcendo contra, isso pode até irritar. Mas a Argentina passou na bola e com méritos. Não foi no apito.
Pênalti para a Argentina
O pênalti marcado para a Argentina, ainda no primeiro tempo, foi bem assinalado. Não há muito o que discutir. Houve a infração, Letexier marcou corretamente e Messi desperdiçou a cobrança.
Gol anulado do Egito
A grande polêmica veio no segundo tempo, no gol anulado de Zico, que seria o segundo do Egito. É aquele tipo de lance que sempre gera confusão. Falta na origem, a jogada segue, o gol sai, o jogador comemora, tira a camisa, leva cartão e só depois vem a revisão.
Mas a decisão final foi correta.
No início da jogada, Attia disputa a bola com Lisandro Martínez. O puxão por cima é muito sutil e, isoladamente, não seria suficiente para marcar falta. O problema é o pisão. No movimento da disputa, o egípcio pisa no pé do argentino e impede que ele siga na jogada. Há infração.
O ideal seria que o árbitro tivesse marcado em campo. Quando esse tipo de lance só é corrigido depois do gol, cria uma bagunça gigantesca. O jogador tira a camisa, leva amarelo, o gol é anulado e o cartão continua, porque a punição disciplinar pela comemoração não desaparece com a revisão. Não tem como “destirar” a camisa.
Para efeito de análise, o VAR acertou ao chamar e o árbitro acertou ao anular.
Pênalti pro Egito
Depois veio a reclamação egípcia no gol de Enzo Fernández, já nos acréscimos. O Egito pediu duas penalidades na origem da jogada. Não houve nenhuma.
No primeiro lance, há um puxão sutil de Mac Allister em Fathy dentro da área. Existe contato, mas nem todo contato é falta. O puxão não tem força suficiente para derrubar o jogador. Fathy sente o contato, dobra os joelhos e mergulha no gramado. O famoso “passinho do Michael Jackson”. Não é pênalti.
Na sequência, Salah reclama de uma disputa com Julián Álvarez. A discussão é ainda menor. O argentino toca primeiro na bola, desarma o adversário e, depois disso, Salah tropeça no pé dele. Marcar pênalti nesse lance seria um escândalo.
Dá para discutir outros lances da Copa. Muito se falou de uma possível falta na origem de um gol da Argentina contra a Áustria. Também houve discussão sobre a não expulsão de Messi na estreia.
Mas um erro não justifica outro. O futebol não pode funcionar por compensação. A análise precisa ser feita lance por lance, jogo por jogo, decisão por decisão.
Tudo vira suspeita
François Letexier teve dificuldades? Teve. O jogo foi tenso, acidentado, cheio de reclamações, cartões e pressão. Faltou controle disciplinar. Só que no geral, ele acertou nos principais lances.
O problema é que, quando envolve Argentina, Messi e uma virada histórica, tudo vira suspeita. Qualquer decisão vira prova de complô. Qualquer revisão do VAR vira narrativa pronta. Ainda mais em uma Copa em que até o presidente Donald Trump apita.
O Egito não foi eliminado pela arbitragem. A Argentina buscou a virada na bola, fez 3 a 2 e passou com méritos.
Sempre digo que sou pago pra irritar as pessoas. Dizer o que muita gente não quer ouvir. Talvez seja o caso hoje, até pela gritaria nas redes sociais. A Argentina venceu porque jogou com alma até o fim. Afinal, o jogo só acaba quando termina. Não adianta se irritar.
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