
Os conflitos geopolíticos têm sido um dos assuntos predominantes nesta Copa do Mundo em Los Angeles e, nesta quinta-feira (18), às 16h (horário de Brasília), duas histórias conectadas pela dissolução da Iugoslávia se encontram.
Nos últimos dias, a cidade recebeu a seleção do Irã em meio às tensões envolvendo iranianos e norte-americanos e ao anúncio de um acordo de paz que passou a dominar o noticiário internacional. Protestos, manifestações e um forte esquema de segurança marcaram a passagem da equipe pelo SoFi Stadium, em Inglewood.
Agora, o terceiro jogo da Copa na cidade também remete a uma história que tem ligação direta com guerras.
Nesta quinta, Suíça, Bósnia e Herzegovina se enfrentam no SoFi Stadium pelo Grupo B. Dentro de campo estarão dois capitães, dois ídolos nacionais e duas trajetórias profundamente conectadas aos conflitos que marcaram o fim da antiga Iugoslávia.
A superação escancarada em campo
De um lado está Dzeko. Maior jogador da história da Bósnia, o atacante de 40 anos viveu a infância em Sarajevo durante a Guerra da Bósnia. O conflito, que aconteceu entre 1992 e 1995, deixou mais de 100 mil mortos e transformou a vida de milhões de pessoas na região.
O centroavante cresceu em meio aos bombardeios, viu a rotina da família ser interrompida pela guerra e encontrou no futebol uma forma de escapar daquela realidade. Anos mais tarde, virou o maior artilheiro da história da seleção e um dos principais símbolos do país.
Do outro lado estará Xhaka. Capitão da Suíça e presente em sua quarta Copa do Mundo, o meio-campista é filho de imigrantes kosovares-albaneses. Sua família deixou os Bálcãs durante o período de instabilidade que acompanhou a dissolução da Iugoslávia.
A relação de Xhaka com essa história ficou evidente na Copa de 2018 com uma das comemorações mais polêmicas do torneio. Após marcar contra a Sérvia, comemorou fazendo o símbolo da águia de duas cabeças da bandeira albanesa com as mãos, gesto que repercutiu mundialmente por sua ligação com os conflitos da região.
O confronto desta quinta-feira vale muito para as pretensões das duas equipes na Copa. Suíça e Bósnia empataram na estreia e uma vitória pode deixar o vencedor muito próximo das oitavas de final.
Mas a partida em Los Angeles também oferece um contexto raro. Capitães adversários, Dzeko e Xhaka representam gerações que tiveram suas trajetórias marcadas pelas consequências da dissolução da Iugoslávia. Um viveu a guerra. O outro cresceu ouvindo as histórias da família.
O futebol colocará frente a frente por 90 minutos dois personagens que são mais uma prova de que nunca será só futebol.
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