
A partida entre Grêmio e Juventude teve um detalhe que passou despercebido durante o jogo, mas que ganhou repercussão depois da divulgação de uma imagem nas redes sociais.
Na origem do gol de empate do Grêmio, na cobrança de lateral feita por Pavón, o atacante gremista pisa dentro do campo com um dos pés no momento do arremesso.
Pela regra, o jogador que executa o lateral precisa estar com parte dos pés sobre a linha lateral ou do lado de fora do campo. Ele não pode pisar dentro do gramado. Ao fazê-lo, comete infração. O correto seria a reversão da cobrança e a posse de bola para o Juventude.
Nem o assistente Fagner Cortes, que observava a grande área no momento da cobrança, nem o árbitro Rafael Klein, posicionado próximo ao desenvolvimento da jogada, perceberam a irregularidade. Trata-se de um erro de campo.
Aqui entra um ponto fundamental: o VAR não pode intervir nesse tipo de situação. O árbitro de vídeo, comandado por Jean Pierre Lima, está limitado pelo protocolo. Decisões relacionadas a reinícios e procedimentos de reinício de jogo não são passíveis de revisão. O princípio é o mesmo para outras situações como um escanteio cobrado com a bola fora do quarto de círculo, por exemplo.
São decisões que precisam ser detectadas pela arbitragem de campo. O VAR não interfere nesse tipo de lance, mesmo que a jogada resulte em gol.
O peso do erro
É importante também contextualizar o peso do erro. Não se trata de uma falta inexistente marcada na entrada da área que gera um gol direto. Após a lateral, houve disputa, rebatidas, oportunidade defensiva para o Juventude e, só depois, o arremate que resultou no gol. A irregularidade está no início da ação, mas não há consequência imediata e direta.
Na prática, porém, a cobrança foi irregular e deveria ter sido decidida ali, no campo.
Foi um detalhe que passou despercebido também na transmissão em tempo real, e eu me incluo nisso. Não percebi no momento. Só depois, com a imagem ampliada, a irregularidade ficou evidente. É o tipo de lance que acontece com frequência nas partidas e que, na maioria das vezes, não gera qualquer consequência.
Arbitragem correta no geral
Tirando esse episódio pontual, a arbitragem de Rafael Klein teve boa condução geral. O pênalti para o Juventude foi corretamente assinalado. Viery abre o braço, assume o risco e comete a infração. No lance em que houve dúvida se a bola teria entrado em possível gol do Grêmio, o goleiro Jandrei faz a defesa antes que ela ultrapasse completamente a linha de meta.
As decisões capitais foram corretas. A condução disciplinar também foi segura.
O lance da lateral é um erro específico, isolado dentro do contexto do jogo, mas que, por resultar em gol, ganha dimensão maior depois da partida. É o tipo de detalhe que reforça uma verdade da arbitragem: nem todo erro é revisável.
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