
O técnico da Seleção levou o Brasil à Copa do Mundo para jogar no contra-ataque, provocando ou esperando o erro do adversário.
Pegou o bonde andando, mal teve tempo de treinar e sofreu com lesões. São atenuantes. A partir de agora, não tem desculpa. Já que o próximo ciclo foi pensado para ele, Carlo Ancelotti tem obrigação de dizer publicamente o que deseja e como pretende chegar lá.
Se for para jogar com 34% de posse de bola (no segundo tempo ainda menos: 32%) contra um time de segunda linha da Europa, caso da Noruega, não quero. A escola brasileira não é essa. Não digo que tenha de trocar passes com os times de Pep Guardiola. Pode ter estratégias pontuais. Mas o Brasil detestar a bola é uma afronta.
Então a regra é só velocidade? Não teremos mais meias criativos, que passam o pé sobre a bola? Laterais que saibam vir por dentro para também jogar, fazendo vantagem numérica no setor?
A Holanda, desde a morte de Cruyff, que sempre cobrava quando via a sua seleção ficando burocrática, colocava a boca no trombone publicamente, mesmo na condição de torcedor. Deve estar se revirando no túmulo observando os rumos do futebol holandês. O Brasil é muito maior do que a Holanda. Ninguém vai se erguer contra esse absurdo?
O conceito de futebol da Seleção para 2030 tem de ser esclarecido já. Se houver mudança nesse aspecto tático e cultural do Brasil, tudo certo. Mas se for o da eliminação para a Noruega, não quero mais Ancelotti. Aí que se troque agora, para dar tempo ao próximo treinador de fazer um trabalho longo, maduro e sólido. Jogar com medo da bola, como a Seleção nesta Copa, não tem cabimento.
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