
Primeiro, o contexto. É um áudio vazado, de cunho privado. Então expressões como “quebrar” ou “Grêmio quebrado” tem de ser relativizadas. Não no conteúdo: é óbvio que a situação é de pânico com tendência a motim. A dívida de R$ 900 milhões é pública.
Falo na responsabilidade de dizer isso publicamente por alguém da gestão, como Celso Rigo. O empresário não cometeu nenhum desatino nesse sentido. Ele tem história no clube. Sempre ajudou nas horas ruins. Além do mais, a atual gestão gremista se elegeu colocando Rigo na frente, como cabo eleitoral. Qual a surpresa? Ele está agindo conforme o anunciado.
Tirando o aporte de R$ 60 milhões em fevereiro, essa uma novidade dramática da realidade financeira, a questão do áudio é a definição de quem manda no Grêmio. Com todo o respeito a Odorico Roman, quem bate o martelo é Celso Rigo, e não o presidente.
O áudio define que Paulo Pelaipe foi buscado no Cruzeiro por ele, já que sua amizade com Pedro Lourenço ajudou a liberar um profissional disputado no mercado. Garante Luís Castro no cargo por usar a base, que são ativos capazes de engordar os cofres. Como bater de frente como quem põe R$ 60 milhões para evitar a bancarrota?
Por fim, a parte que condeno no áudio: o julgamento do trabalho de Tite e Roger, dois profissionais respeitados, formados no Grêmio, por razões políticas — identificadas por Rigo, bem entendido. Atestado ideológico para trabalhar?
A questão ideológica tem de ficar fora de um clube plural, com torcedores de direita, esquerda, centro e quantas mais direções houver.
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