
O zagueiro baiano Gleison Bremer, 29 anos, não é de falar muito. Também não é um Ronaldinho em termos de popularidade. O gênio gaúcho causa tumulto em qualquer lugar mundo, o que o levou à Globo nesse Copa apenas para circular, aleatoriamente, pelas ruas.
Fosse em Turim, a cena seria diferente. Na temporada europeia, foram 26 jogos pela poderosa e pop Juventus, para onde foi após chamar a atenção no outro clube da cidade, o Torino, entre 2018 a 2022. É bastante conhecido, na Itália e em Turim.
Bremer faz parte daquele fenômeno do pertencimento brasileiro: os jogadores saem cedo, antes de se identificar com uma torcida de massa no Brasil. Como passou pouco no Atletico-MG, após surgir no Deportivo Brasil, um clube de futebol de empresários, não é um rosto conhecido.
O repórter Rafael Diverio, foi o primeiro a colocar os olhos nele. Mesmo de costas, servindo-se de uma salada de frutas no café da manhã do Hotel Sonesta, onde está hospedada a equipe da RBS que acompanha o dia-a-dia da Seleção, por sua vez instalada bem perto daqui, em Basking Ridge.
É que o Diverio é torcedor de carteira assinado do Torino, então o reconheceu na dúvida. Os poucos brasileiros do nosso hotel ficaram na dúvida, até por que jogador de futebol tem um perfil padrão, mas o Diverio matou na hora.
— Não precisava ter saído do meu time logo para a Juventus, mas tudo bem. Pelo menos encheste o bolso…. — brincou o Diverio.
— Eu? Nada! Eles (Torino) é que encheram o cofre… — devolveu Bremer, de chinelos e trajes de passeio na folga.
A orientação da CBF é não permitir entrevistas fora da rotina orientada da CBF nesses períodos permitidos com a família. Então Bremer não podia falar sobre, por exemplo, ser o ficha 1 da zaga nas impossibilidades da dupla titular, Marquinhos e Gabriel Magalhães. Nem dos 26 jogos como titular e das quatro assistências na temporada. Não é um zagueiro rebatedor.
Simples e tranquilo, tomou café com a família, igualmente acessível e sem pompa. Depois passeou um pouco com eles pelo ambiente bucólico do Sonesta. O treino é mais tarde, às 17h desta segunda-feira (15), mas Bremer já olhava o celular.
Do jeito que foi atribulada a preparação, com lesões de última hora e a má atuação na estreia diante do Marrocos, não é de se duvidar que alguma oportunidade caia em seu colo nesta Copa do Mundo. Aí o bucólico e familiar rolê aleatório como anônimo certamente mudará.






