
Esse milagre tem santo. Ele se chama Abel Braga. No último jogo, trabalhando de graça, aceitando ficar sob o olhar de quem o demitiu lá atrás, mas pensando no clube do coração, o maior técnico da história do Inter operou o mais incrível dos milagres: o de tocar o coração das pessoas e fazer quem se julgava perdido alcançar o porto seguro.
O Inter só não caiu para a Segunda Divisao por que Abel Braga aceitou o desafio impossível.
Da depressão, Abel construiu a lucidez mesmo após a goleada para o São Paulo.
Um time seguro, que teve um equilíbrio não visto há meses. Venceu por 3 a 1. Fez a sua parte com sobras.
Sem afobação, primeiro se defendeu para só depois ir para o tudo ou nada. Assim, garantiu intensidade coletiva até o final. E soube orientar os jogadores para não entrarem em pânico quando os resultados não ajudavam.
Mercado e Vitão foram enormes. Alan Patrick assumiu a responsabilidade ao cobrar o pênalti mais importante da história do clube, o do 2 a 0 que garantia o saldo sobre o Fortaleza.
Em vez de brigar com Carbonero, Abel o recuperou. O colombiano entrou na segunda etapa correndo como nunca. O terceiro gol é dele. E com passe de Ricardo Mathias, tantas vezes negligenciado por Ramón Díaz.
Os resultados paralelos ajudaram, lembrando 2002. O torcedor colorado merece festejar, pois a salvação tem as assinaturas de Abel Braga e D’Alessandro.
O destino sorriu para uma instituição centenária e vencedora. Que a atual gestão aprenda com seus erros para não estar, no fim do ano que vem, nessa mesma situação de lutar contra o rebaixamento na última rodada.




