
Tenho me ausentado dos grupos de WhatsApp dos amigos colorados. São ambientes tóxicos. Só terrorismo, só apocalipse. Toda hora, alguém surge dizendo que o clube vai cair, que é certo, que não há o que fazer, que é impossível alcançar seis vitórias em treze rodadas, já que ainda não ganhamos nenhuma no returno.
Mandam vídeos, mandam previsões do ChatGPT, mandam profetas formulando ultimatos e prognósticos de terra arrasada.
Afinal, as chances atuais de rebaixamento do Internacional são de 59,2%, de acordo com as estatísticas do Departamento de Matemática da UFMG — com probabilidade de queda apenas menor do que a da Chapecoense (99,05%) e do Remo (74,5%).
São os direitos de imagem atrasados, é o veto para contratar devido à punição de transfer ban imposta pela Fifa, é a greve de concentração. Tudo realmente sério, crítico, triste, mas reversível.
Cabe lembrar que o estado ficou destruído, o estádio alagado e liquidado pela enchente de 2024. Estamos pagando um preço alto por uma herança maldita da maior tragédia climática de nossa história.
Eu prefiro ser ingênuo, eu prefiro ser tolo, eu prefiro ser a Velhinha de Taubaté de Verissimo. Prefiro ser ridículo com a minha esperança.
Não quero ter razão, quero que o meu time não caia enquanto temos oportunidade, enquanto a conta não fecha na mesa.
Vou ajudar com as minhas palavras. Vou torcer com as minhas palavras.
Esperar o pior não me traz alívio.
Depois da jornada épica, eu irei protestar, eu irei reclamar, eu irei espernear. Agora, não. Agora sou torcedor, não comentarista. Não trocarei de papel.
A matemática, a arbitragem e a confederação jamais foram nossas aliadas. Somos a falha do sistema, a quebra do algoritmo, a resistência.
Em 2025, todos decretaram o nosso descenso por antecipação, pois dependíamos de um triunfo e três resultados paralelos. Ninguém foi capaz de explicar isso.
Em 2020, empilhamos nove vitórias consecutivas com o aniversariante da semana, Abel Braga. Ninguém foi capaz de explicar isso.
Ninguém soube explicar como conquistamos o Mundial contra o Barcelona.
Ninguém é capaz de explicar uma paixão.
Qual a receita? Não tratar cada partida como se fosse a última, como se fosse de vida ou morte. Esquecer a direção. Esquecer os reveses. Esquecer os problemas — o nervosismo paralisa. Desligar-se do entorno. Atuar pelo prazer de atuar, como em tantas outras vezes. Vencer uma por uma, fora ou em casa, como em tantas outras vezes. Com a sabedoria de um único foco.
Se você não tem nada a perder, não sente medo.
Resta não se valer do retrospecto, não temer o que vem pela frente, entregar-se para os 90 minutos com uma amnésia feliz. Só existem o gramado, os colegas e a bola.
Nunca se é fraco coletivamente. Nunca se é fraco com o apoio da arquibancada.
Lobos não pensam, lobos agem.
Quando pensamos demais, erramos. Impera a hesitação, que será farejada pelo adversário.
No fim, somos e sempre seremos uma matilha faminta, incompreendida, uma multidão de párias e rejeitados que se amam loucamente.
Jogamos por fome. Jogamos por paixão. Fome é paixão. Até 2 de dezembro. Rangendo os dentes.





