Leitora se pergunta se deve deixar o emprego depois que o marido disse que pode sustentá-la e que ela não precisa mais trabalhar. Mesmo sem ganhar tanto quanto ele, ela teme abrir mão da própria rotina, da independência e do espaço que construiu fora de casa.
Entre a promessa de proteção e o risco de transformar o casamento em dependência, ela escreveu ao Carpinejar.
Confira a opinião do colunista no episódio desta semana do Desafio Sentimental.
Leia a opinião do colunista
No Desafio Sentimental GZH desta semana, leitora pergunta se deve deixar o emprego porque o marido quer. O marido diz que pode sustentá-la e que ela não precisa trabalhar. Isso é uma cilada.
Recuse sempre qualquer insinuação de dependência, mesmo que o seu trabalho não seja o mais representativo, que não traga status. É o seu trabalho, é o que você gosta de fazer.
Mesmo que o salário não seja tão significativo, que você não receba tanto quanto o outro, jamais abdique da sua produtividade. Porque é o seu tempo, é o seu espaço, é a sua individualidade.
Se você parar, vai viver de quê? De mesada? De favor? Tendo que pedir licença e autorização para sair, para os seus custos, para os seus afazeres. Imagina o quanto a relação passa a ser infantilizada e você não tem mais voz própria.
Tudo depende do outro, depende do humor do outro, depende da generosidade do outro. E você ficará trancada em casa. A casa vai virar um cativeiro, porque você vai ter que criar motivos para sair, já que não tem mais nenhuma ocupação formalizada.
Você vai sofrer o constrangimento de ter que inventar a rua, já que a rua passou a ser uma miragem para você. Você também ficará tributária no elogio caseiro.
Você não vai se sentir mais admirada, valorizada pelos seus colegas, pelos seus sonhos, pelos seus projetos, pela sua capacidade profissional. Você vai ficar refém da vida doméstica, de ser reconhecida dentro de casa.
Você vai colocar tudo que você tem de mais valioso nas mãos de uma única pessoa. Deixará de diversificar suas fontes de felicidade, ficará presa ao que o relacionamento dá.
E, se o relacionamento parar de oferecer, você vai se sentir inferiorizada, apequenada, descartada, deixada de lado. Não viva pelo outro. A vida do outro não é sua. O amor depende de duas vidas consolidadas, independentes, para dar certo. Para que o amor seja uma escolha. Jamais uma única e solitária opção. Não ter saída é tudo o que a gente não pode fazer para o amor.

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