
A agência dos Correios já fez parte de nossa vida de um modo onipresente: mandávamos mensagens fonadas nas urgências, despachávamos cartas e encomendas, requisitávamos Sedex para a correspondência chegar no dia seguinte, comprávamos cartões natalinos para oferecer aos colegas de trabalho e familiares.
Não havia semana em que você não entrasse no prédio amarelo, marca colorida e arquitetônica de toda cidade, junto com a igreja, o fórum, a delegacia e a prefeitura.
Era um poder paralelo, tão importante quanto o cartório. Não tinha como não usar seus préstimos numa época analógica.
Nos anos 2000, em seu auge, a rede operou com mais de 10 mil pontos espalhados pelo Brasil.
Hoje quase não se veem mais os carteiros com suas calças azuis nas calçadas, nem filas de atendimento. Os SMS que aparecem no celular com avisos de pedidos retidos costumam ser golpe.
Nem se conhece metade das atribuições do lugar: soluções de logística para e-commerce; venda de caixas, envelopes e fitas adesivas para empacotamento; movimentações financeiras para clientes do Banco do Brasil; alteração de dados e regularização da situação cadastral; empréstimos; achados e perdidos com recuperação de documentos encontrados na rua; emissão de identidade digital para pessoas físicas (e-CPF) e jurídicas (e-CNPJ); e inscrições em concursos.
Os reflexos da ausência de atualização e da evasão dos consumidores — uma vez que o serviço cedeu protagonismo diante da velocidade das transformações tecnológicas — passam a ser graves.
Entre o fim de maio e o início de junho, onze agências dos Correios do Rio Grande do Sul, das suas quinhentas, encerraram as atividades: quatro em Porto Alegre, duas em Caxias do Sul, uma em Gramado, uma em Rio Grande, uma em Triunfo, uma em São Leopoldo e uma em Derrubadas.
Ou seja, precarizou-se a cobertura na capital, na Serra, no sul do Estado, na Região Carbonífera, no Vale do Sinos e no noroeste do Estado, desassistindo a população periférica, em especial os aposentados do INSS, que recebiam as suas pensões no local.
121 portas já foram lacradas no Brasil.
A tradicional instituição amarga a maior crise financeira da história. O mais recente balanço indica que a empresa sofreu um prejuízo de R$ 3,1 bilhões somente no primeiro trimestre de 2026. Em 2025, acumulou um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, além de somar resultados trimestrais negativos desde o final de 2022.
Ela caminha a passos rápidos para uma antes inimaginável bancarrota. Como o governo federal recusa a privatização — sua natureza é pública e vinculada ao Ministério das Comunicações —, vem tentando reestruturações radicais. O efeito dominó deverá atingir outros logradouros, pois existe o objetivo de 15 mil demissões (16,67% dos 90 mil contratados) e mil agências desativadas até 2027. O Plano de Demissão Voluntária (PDV) registrou a adesão de 3.075 funcionários até o momento.
Durante a década em que vivi em São Leopoldo, eu frequentava, com meus filhos a tiracolo, em nossos passeios diários, a unidade de Rio Branco, agora extinta. Ficava perto do supermercado Unidão e do campo do Avaí. Infelizmente, a decisão obrigará os moradores a se deslocar ao centro.
O que significava uma vitória do bairro torna-se uma decepção e um desencanto, ainda mais porque se tratava de uma distribuidora, para onde as entregas voltavam assim que se notava alguma inconsistência no destino.
O que nos resta é preparar um telegrama:
COMUNICAMOS FALECIMENTO DOS CORREIOS PT SEPULTAMENTO PRÓXIMO PT AGUARDAMOS PRESENÇA PT






