
No casamento, convém adaptar a máxima “os opostos se atraem” para “os diferentes se completam”.
Antagonismo não soa bem e cansa o amor. Você gastará toda a sua disposição se defendendo. Não sobrará energia para mais nada. Acordará e dormirá exaurido e isolado pelo excesso de discussões irrelevantes.
É importante a complementaridade de temperamentos. Que sejam discordantes, não contrários. Que se desafiem sem competir. Que se inspirem sem enfrentamentos.
Aquele que é mais indeciso precisa de um parceiro mais realizador. O sonhador e o executor de tarefas somam forças. Enquanto o primeiro elabora mil e uma ideias no plano da fantasia, mas sem grande habilidade de pôr em prática qualquer uma delas, o segundo, que é menos subjetivo, demonstra desembaraço e poder pragmático de transpor projetos para a realidade.
Pois dois travados juntos não sairão do lugar. Demorarão até para definir algo simples dentro de casa, como a cor das paredes.
Não vão querer desagradar a si, tampouco a companhia, e não ultrapassarão o ponto morto das intenções.
Assim como dois espontâneos e exagerados correrão o risco de se ferir à toa com o sincericídio.
O ideal é a união de um que é mais devagar com outro que é mais rápido, um que é mais tímido com outro que é mais expansivo, um que é mais otimista com outro que é mais crítico, um que é mais sensível com outro que é mais objetivo, um que é mais caseiro com outro que é mais workaholic, um que é mais prevenido com outro que é mais corajoso, um que é mais solitário com outro que é mais sociável, um que é mais familiar com outro que é mais dos amigos, um que é mais paciente com outro que é mais ansioso, um que é mais culto com outro que é mais popular, um que é mais da conversa com outro que é mais do silêncio.
Resta garantir a aventura de aprender o meio-termo, não anulando a própria identidade e, concomitantemente, cedendo um pouquinho para alcançar os propósitos mútuos.
O casamento é exatamente o caminho do meio. Quando se pode andar de mãos dadas, e nenhum dos dois ritmos prevalece. Não se fica nem atrás, nem muito à frente. O casal permanece lado a lado se ajudando e se respeitando.
Tome cuidado com os amores complicados. Não são estimulantes, mas destruidores.
Evite quem é casado, quem não deseja compromisso, quem não esqueceu o ex, quem é ciumento e possessivo, quem só coloca defeito e desconhece a gratidão, quem prefere a vida de solteiro, quem rivaliza e esconde os elogios.
Não é porque você sofre que ama mais. Não é porque tem mais trabalho que ama mais. Não é porque se dedicou mais do que nos relacionamentos anteriores que ama mais.
O difícil é um vazio do início ao fim do romance, uma lacuna que você não para de preencher.
O difícil é inútil. O difícil mata a esperança. O difícil tira a sua paz de viver. O difícil esgota a sua confiança. O difícil é nadar e não querer voltar, para não perder o tempo que já investiu tentando. Você sente vergonha de desistir, e abandona a sua vontade de ser feliz em nome da teimosia.
Não confunda o difícil com o raro. É raro encontrar o amor, porém nunca será difícil a sua convivência.
Jura que conseguirá corrigir, mudar, salvar a pessoa — só se cortará colando metades e pedaços que não se encaixam.
Namorar deve ser simples: é fácil amar alguém quando você continua se amando.



