Leitora relembra um namoro da adolescência que foi impedido pela mãe e admite que, 25 anos depois, ainda pensa no antigo namorado. Presa à ideia de que a vida poderia ter sido diferente, ela compara o presente com um amor que nunca chegou a se provar.
Entre a fantasia sobre o que não aconteceu e a dificuldade de valorizar o que veio depois, ela escreveu ao Carpinejar.
Confira a opinião do colunista no episódio desta semana do Desafio Sentimental.
Leia a opinião do colunista:
No Desafio Sentimental GZH desta semana, a leitora lembra que sua mãe não autorizou um namoro na adolescência. E ela está há 25 anos pensando no seu antigo namorado.
Há 25 anos, ela não muda de assunto, não muda sua fantasia, vive uma obsessão retroativa de que tudo seria diferente se ela tivesse seguido com aquele amor.
Será que não é uma armadilha da nossa mente acreditar que tudo o que não aconteceu é perfeito? Jurar que a vida seria melhor se você tivesse adotado um outro caminho?
Que estaria feliz, confiante, e que aquele relacionamento de outrora era realmente o amor da sua vida. Por que nos enganamos?
Não valorizamos o que somos, quem somos, o que temos, o que aconteceu. Nada pode vingar ou funcionar em sua vida se você acha que o que era para ser não aconteceu.
Se você acredita que a sua felicidade ficou enterrada naquela recusa materna, que você desperdiçou a grande chance da realização pessoal.
Será que tudo o que veio depois não ficou empobrecido de experiência porque você vive comparando com aquele namoro que era adolescente, que era juvenil. Que era para uma época, que era para um determinado contexto. Só que você colocou um sonho inatingível. Um severo grau que nada vai contentar você no presente.
Nenhuma aproximação sincera vai causar arrebatamento se você ainda está presa ao passado. Se você não se abre para o imprevisto, para o improviso, para o acaso, para ser feliz de outras maneiras que não aquela.
Aquela que é própria de uma fase em que você fica com as borboletas no estômago, com a vertigem, com a tontura, com aquela expectativa do beijo, do enlace da primeira vez.
Superestimamos a primeira vez. Deveríamos ser mais realistas e valorizar a primeira vez que alguém entrou mesmo em nosso coração.
Provando que é capaz, provando que nos merece. E não a partir de uma fantasia ou de uma idealização. Com a verdade, com a verdade dos fatos.
Como você pode sofrer por um amor se esse amor não provou que era amor? É tudo na sua cabeça. Qualquer casamento que você tenha nunca será melhor do que uma fantasia.
Você vai acreditando no príncipe encantado. Enquanto isso, o castelo fica absolutamente abandonado.
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