
Foi como um chá revelação. Estamos grávidos novamente de esperança.
Como eu sempre defendi, Neymar vai para a sua quarta Copa do Mundo. É a jornada do herói improvável. Carlo Ancelotti não levou em conta apenas os 100% da sua condição física, mas o seu histórico emocional de maior artilheiro da história da seleção brasileira, o seu talento misterioso e indiscutível, a sua vontade de calar a boca do ceticismo e dar a volta por cima, demonstrando que não é um ex-jogador.
Num solitário nome entre os 26 convocados, o técnico italiano reverteu a rejeição da torcida e a motivou a rezar pelo hexa.
Não é caso de gostar ou não gostar, mas de acreditar.
Neymar Júnior é uma lenda por bem ou por mal, alguém que já conseguiu alta performance com a própria camisa amarela. Alguém que já ombreou com Messi como melhor do mundo, conquistando a Champions League. Alguém que quase chegou ao topo da FIFA.
Os jogadores pediram sua presença, diferentemente do grupo do penta que vetou o Romário em 2002.
Ele entra para somar e fortalecer o vestiário. Sua versão madura vinga sua ausência quando jovem em 2010, na lista de Dunga.
Curiosamente, acaba sendo incluído quando está no mesmo Santos, talvez com a mesma expectativa de guri, e, aos 34 anos, carregando o dobro de promessas de uma nação desligada do futebol canarinho.
É um atleta de exceção, decisivo, com personalidade e coragem, que assume os erros, que grita com os companheiros, que briga com a arquibancada, que chama a responsabilidade para si. Não aceita a derrota calado. Não é do muxoxo. Não se rende para a vaia.
Assim como atrai escândalos, é um magneto da bola, com o potencial de ginga e finta de seus precursores Garrincha e Ronaldinho Gaúcho.
Temos um azarão capaz de despertar a curiosidade internacional. Um Rocky Balboa, após dois anos de lesão, socando carnes no frigorífico, subindo e descendo as escadarias da glória. Ficaremos no suspense de seu octogésimo gol pelo Brasil (está com 79 em 128 partidas).
Pode ampliar seus números na principal competição planetária. Já atuou por 13 jogos, com oito gols e quatro assistências.
Será uma redenção inesperada? Será uma guinada emocionante?
Faltam-lhe alguns degraus para consolidar a titularidade e garantir sua assinatura dourada no panteão. Precisará fazer mais do que já produziu – só alcançou até agora as quartas de final (por lesão na Copa de 2014, no Brasil, e em campo na Rússia e no Catar).
Sua confirmação nos selecionáveis foi uma surpresa junto com a do goleiro do Grêmio, o experiente Weverton, 38 anos, guardião tricolor no Brasileirão, que vem operando milagres seriais. A dupla foi a única não testada nos amistosos.
Das traves ao ataque, contamos com dois cascudos que não temem grandes desafios. Que os jovens se mirem em seus exemplos de obstinação.
Neymar parte para o último round, na tentativa de coroar a carreira com o título que ainda não obteve. E justamente o maior de todos.





