O relacionamento chegou ao fim, mas o endereço do casal continua o mesmo. Uma leitora vive o impasse de dividir o teto com o ex, mas questionando-se se é possível manter essa convivência após a separação.
A proximidade física alimenta falsas esperanças de reconciliação e transforma o cotidiano em um campo minado de expectativas frustradas e vigilância involuntária.
Em busca de uma saída para esse mal-estar, ela escreveu ao Carpinejar. Confira a opinião do colunista no episódio desta semana do Desafio Sentimental.
Leia a opinião do colunista
O relacionamento acabou, mas eles ainda permanecem morando na mesma casa. A leitora pergunta, eu gosto dele, essa situação é possível? Não é. É loucura você permanecer dividindo o mesmo espaço físico com quem você gosta, tendo o fim do relacionamento decretado.
Você vai acordar acreditando que, dependendo do que você falar ou do que você realizar, haverá ainda chance de reconciliação. E se ele se envolver com uma nova pessoa? E se ele aparecer feliz com esse romance que pode surgir? Como você vai reagir? Você vai se sentir destratada, humilhada, constrangida, ciumenta. Quando já existe a separação, tem que encontrar um jeito de dividir os pertences, os endereços. E cada um seguir a sua vida até para um detox emocional.
Para um não ficar reparando no que o outro está fazendo, para que não aconteça uma blitz, uma vigilância, uma fiscalização. Não podemos dar chance para que o nosso pior possa emergir. Não podemos dar chance ao pântano. Você pode até pensar que aguenta, mas não, ainda não conhece seus limites. Até porque existe uma discordância de situações, você ainda gosta dele e ele não gosta mais de você. As implicâncias e as hostilidades serão até involuntárias, porque você vai observar o comportamento do outro esperando que ele mude de opinião e ele vai frustrar toda a sua idealização de recomeço.
Você vai se decepcionar constantemente. E a proximidade também tem um efeito deletério de recriar nostalgia dos tempos bons. E se vocês reprisarem refeições lado a lado e bater a carência, e namorar o seu par que não gosta mais de você, não demonstrar nenhum arrebatamento no dia seguinte, você vai se sentir usada, manipulada, explorada. Não vai entender que foi apenas um momento, vai pensar que foi uma ressurreição. E o outro pode até agir com mais frieza e indiferença do que antes, arrependido de ter estado novamente com você. Que mal estar insuportável. Quando existe a separação das almas, deve existir a separação dos corpos.
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