
Partiu o nosso Oscar Schmidt, o nosso Mão Santa, o nosso Pelé do basquete, o nosso eterno camisa 14, o nosso recordista da história em tantos quesitos: o maior número de participações em Olimpíadas (cinco), o maior pontuador em Olimpíadas (1.093), o maior cestinha em Olimpíadas (três), o maior número de pontos em um jogo de Olimpíadas (55, contra a Espanha, em Seul/1988), o maior número de pontos pelo Brasil (7.693).
O adeus veio nesta sexta-feira (17), em São Paulo, aos 68 anos.
Simplesmente o maior, insuperável. Sua proeza foi ter alcançado a grandeza fora da NBA e a projeção global numa época analógica. Ainda assim, faz parte do Hall da Fama do Basquete, nos EUA, apadrinhado por Larry Bird.
Foram 49.737 pontos durante 29 anos e 1.615 partidas, com média de 30,7 pontos por jogo. Pelas cores verde e amarela, teve como principal título o Pan-Americano de 1987 contra os Estados Unidos, numa das vitórias nacionais mais relevantes em competições internacionais.
Por clubes, Schmidt somou nove conquistas pelo Palmeiras, duas pelo Flamengo, além de uma por Mackenzie, Corinthians e Caserta, da Itália. Mas vestindo o uniforme do Sírio é que ele experimentou a glória do Mundial Interclubes em 1979, ano em que faturou também o Sul-Americano de Clubes, o Campeonato Brasileiro e o Paulista.
Ufanista, preferiu não jogar na liga americana (convidado pelo New Jersey Nets, hoje Brooklyn Nets, no Draft de 1984) para permanecer representando a seleção brasileira. Mesmo sem receber nada. Mesmo gastando mais com a conta telefônica para falar com a família.
Se o marcador dava espaço, ele não errava a mira, numa prodigiosa capacidade de levar o grupo nas costas. De qualquer ângulo da quadra. Aprendemos a respirar com ele em cada cesta. Suspendia o tempo, e a realidade entrava em câmera lenta até o seu soco no ar.
Oscar comemorava um ponto imitando um gol. Pulava, urrava, enchia o seu pulmão de alegria. Sua felicidade sempre explodia como um desabafo.
Sua precisão decorria dos arremessos livres depois dos treinos, repetidos exaustivamente no ginásio vazio. Era menos inspiração e mais transpiração. Era mais suor e sangue do que um dom divino. Ele me disse, em entrevista em meu antigo programa na TV Gazeta, em São Paulo: “o céu só ajuda quem tem os pés no chão”.
Nascido em Natal e formado em Brasília, com pai militar que mudava de cidade frequentemente, não dispôs de chance de ser discreto nem tímido com seus 2,05m de altura. Adaptou-se para vencer.
Desde o diagnóstico de câncer no cérebro em 2011, Oscar enfrentou a doença como um play-off. Chegou a anunciar em 2022 que havia parado a quimioterapia, gerando comoção entre os fãs.
Oscar deixa a esposa Maria Cristina, com quem estava casado há quatro décadas, e os filhos Felipe e Stephanie.
Ele nos ensinou a adorar um esporte e adotá-lo com o seu exemplo.
Sua morte é um voo interrompido — seguimos olhando para o alto, esperando a bola cair limpa no aro.





