
Ser agradável com todos, mas íntimo de poucos. Essa é a senha para não ser constantemente ferido.
Um dos equívocos das relações é confiar até que se prove o contrário.
Não tem como ser amigo por atalho, por herança, antes de realmente conquistar e ser conquistado pelo outro várias vezes.
Se você se afeiçoa de primeira, de bandeja, sem nenhuma intimidade, é óbvio que será traído, que amargará a deslealdade, que se verá enganado, que acumulará um rol de decepções.
Corresponde a manter afetos por fiado – depois pagará o prejuízo emocional sozinho.
O que precisamos entender é que a confiança só pode ser adquirida com o tempo e com a construção gradual dos laços.
Não adianta querer forçar afinidades. Isso é impossível.
Você vai se desapontar, vai se frustrar porque não haverá reciprocidade, não receberá o que imagina. Em algum momento, enfrentará uma divergência, uma grosseria, um mal-estar. Não é que o poço secou – nunca esteve cheio.
Ao banalizar a amizade, irá se confessar com quem não guarda segredo, será alvo de fofoca e de inveja, suas palavras seguirão para as bocas erradas, longe da privacidade e da discrição.
É natural se sentir usado. Ou manipulado. Ou exposto indevidamente.
A pessoa gosta de você ou gosta do que você proporciona?
Acreditar que todos são amigos em potencial representa uma fantasia perigosa. Talvez você esteja investindo numa fachada, ou num arranjo circunstancial, numa ligação provisória de um contexto que não perdurará.
Não passará de uma interação superficial, sem o teste das grandes experiências: da tristeza, do luto, da saudade, da superação, do adoecimento.
Então, não transforme os seus contatos em amigos da vida inteira, já que o decorrer da vida é que indicará os seus amigos de verdade.
Não confunda aproximações profissionais com descobertas pessoais. O WhatsApp aceita qualquer número.
A honestidade possui um traço de antipatia. É fundamental revelar um defeito ou uma mania para que o lado humano se sobressaia e o vínculo se mostre sincero e definitivo. A perfeição soa como armadilha para futuras rasteiras.
À medida que se encanta e se arrebata com a impressão inicial, você desiste de observar, esgota a curiosidade e acaba desprezando os alertas que virão da ausência de sintonia.
A vontade desesperada de ser ouvido é capaz de abafar os ruídos.
Afinal, quem não é simpático na festa, no bar? O difícil é oferecer colo, amparo, apoio nas adversidades.
Não sofra por ser seletivo. O apreço não se manifesta pela quantidade, e sim pela qualidade da convivência.
Não se dê para todos como se fossem iguais a você.
Confiar é conjunto da obra e reconhecimento aos serviços prestados.
Seja sempre respeitoso, educado, mas cúmplice apenas daqueles que fizeram por merecer sua atenção.
Amizade é rara. Tanto quanto o amor.



