
Foram dois dias consecutivos – segunda-feira (13) e terça-feira (14) – de angústia na Região Metropolitana e no Vale do Sinos, com a paralisação parcial do Trensurb.
Na noite de domingo (12), um caminhão tombou na BR-116, na altura do km 259, próximo à Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), entre Canoas e Esteio. Levava placas de concreto, que caíram em cima dos trilhos.
Em seguida, houve um problema estrutural em uma obra do DNIT no viaduto sobre a via férrea: uma laje que seria retirada com o auxílio de um guindaste apresentou rachaduras, gerando risco de queda.
A rota do nosso metrô acabou bipartida, com o ilhamento das estações São Luís, Petrobras, Esteio, Luiz Pasteur e Sapucaia.
Não há como controlar acidentes ou casualidades, mas é possível armar uma força-tarefa para os momentos de emergência em que o trem estiver indisponível, com apoio de linhas de ônibus e mobilização para barateamento dos aplicativos. É uma medida que o Governo do Estado deve estabelecer como prioridade.
Aproximadamente 80 mil pessoas passam por dia pelas catracas. É um contingente imenso de funcionários que migram para a capital nos horários de pico.
Experimentamos uma dependência desse meio popular de condução. Carecemos de plano B; cria-se um pandemônio de espera resignada por notícias. A maioria dos usuários não dispõe de recursos para pedir um Uber ou táxi com tarifa dinâmica e intermunicipal. É cada um por si para chegar ao batente.
Os ônibus não possuem a mesma frota de antes. Vivem um encolhimento brutal, com redução drástica no número de passageiros, corte de escalas e uma defasagem financeira acumulada que ameaça o serviço. O transporte público metropolitano perdeu 65% dos clientes em duas décadas. Sem um planejamento, apenas com as linhas atuais em circulação, é impraticável atender um excedente de urgência.
Cerca de 15% dos habitantes não trabalham na sua cidade e são obrigados a se deslocar entre municípios. Dados do Censo de 2022 indicam uma demora de até duas horas no trânsito.
Com o blecaute do Trensurb por motivos de força maior, podem sacrificar uma manhã inteira de produtividade, numa maratona para conseguir uma maneira de garantir a presença.
Ficam sem condições de bater o cartão-ponto e arcam com o perigo de demissão ou descontos na folha de pagamento. Sofrem uma injustiça coletiva. Não têm culpa dos imprevistos e nem sempre contam com a compaixão e a sensibilidade social dos empregadores
E ainda existem os que não comparecerão a entrevistas de emprego e não desfrutarão de uma segunda chance na seleção. Ou os que precisam realizar alguma prova que não será remanejada. E – o mais lamentável – aqueles que marcaram um exame no SUS e aguardavam três meses pela consulta. Dobrarão o tempo no purgatório para doenças absolutamente aflitivas, desprovidas de qualquer paciência.
O caos urbano provoca tristezas e pesares silenciosos.
Talvez seja importante incentivar, simultaneamente, de modo mitigante, uma campanha de carona solidária, alternando o automóvel com os colegas de trabalho e de faculdade.
Estudos em grandes capitais brasileiras, incluindo Porto Alegre, mostram que 70% dos carros trafegam somente com o motorista.
Nos engarrafamentos, é comum observar um solitário viajante em seu veículo vazio, enquanto as paradas permanecem sobrecarregadas de uma multidão apressada, agônica e desamparada.






