Leitora que colocou fim a um casamento de 10 anos, marcado por uma relação tóxica, mudou de Estado e recomeçou a vida com os filhos. Mesmo assim, ficou abalada ao descobrir que o ex-marido já está em um novo relacionamento e se perguntou se seria “psicopata” por sentir ciúme de quem não quer de volta.
O que sente é ciúme ou algo mais profundo? Entre a perplexidade diante da aparente impunidade do ex e a frustração por tudo o que viveu, surgiu a dificuldade de nomear esse sentimento e de compreender o que está doendo. Intrigada com a própria reação, ela escreveu ao Carpinejar.
Confira a opinião do colunista no episódio desta semana do Desafio Sentimental.
Leia a opinião do colunista:
No desafio sentimental GZH, leitora terminou o casamento de 10 anos, numa companhia tóxica, mudou-se de estado e levou os filhos. Mas, estranhamente, ela se sentiu atingida quando descobriu que o ex já está num novo relacionamento.
E me pergunta: será que eu sou uma psicopata? Porque eu não quero voltar a quem me fez mal. Mas, ao mesmo tempo, eu sinto ciúme. O que ela está sentindo é perfeitamente natural. Quando você escapa de uma encrenca, de uma enrascada, você tem medo do futuro e pode se apegar ao passado, por mais triste e desolador que seja.
Ela não sente ciúme dele; talvez sinta pena da próxima vítima. Você talvez esteja com compaixão de quem iniciou um relacionamento e não sabe com quem se meteu, e vem uma imagem à cabeça de tudo o que você sofreu e que uma outra pessoa desavisada, desinformada, pode sofrer novamente.
Não é ciúme, não é inveja: é um pasmo, uma perplexidade de como ele consegue enganar tão bem, a ponto de sempre se dar bem, de sempre conseguir uma presa, de continuar a sua vida como se nada tivesse acontecido.
Essa impunidade é que traz o susto, o choque. E você não tem como telefonar para a pessoa ou saber quem ela é para reportar o ocorrido com você, para trazer à tona as suas feridas. E isso é uma angústia. Você tem que se fortalecer primeiro, reconstruir o seu patrimônio, a sua vida, a sua confiança. De modo nenhum voltar a ter contato ou comunicação com quem fez tanto estrago em sua vida.
Eu entendo o que você está passando. Você tem raiva, não é ciúme. É raiva por ter dedicado tanto tempo a quem não merecia, a quem não prestava. E raiva porque essa pessoa não paga pelos seus erros, não paga pelo mal que provocou.
E segue colecionando vítimas.
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