Leitora vive o dilema de tentar ressuscitar um casamento marcado por infidelidades. Ela percebe que todo o esforço e iniciativa para manter a relação partem apenas dela, enquanto o parceiro parece não demonstrar a mesma vontade de mudar.
O casal recorreu à terapia, mas as feridas do passado continuam abertas e a sobrecarga emocional sempre recai sobre ela.
Em busca de uma saída para esse ciclo de dor, ela escreveu ao Carpinejar. Confira a opinião do colunista no episódio desta semana do Desafio Sentimental.
Leia a opinião do colunista:
No desafio sentimental GZH, leitora não esquece as traições, vive um casamento de mais de duas décadas e tenta ressuscitá-lo, reavivá-lo, reanimá-lo. Só que ela não se dá conta de que o esforço e a iniciativa sempre partem dela. De quem sofreu a infidelidade, não de quem cometeu a infidelidade. Ela sempre está tentando apagar um incêndio alheio. Ela diz que estão fazendo terapia de casal. Mas a terapia de casal pode alterar o presente, o futuro, mas não tem como desinfeccionar as feridas do passado.
E não adianta fazer terapia de casal se a parte que magoou, se a parte que feriu, não faz terapia individualizada. Se ela não cuida das suas dificuldades, dos seus fantasmas, das suas dores, isoladamente.
Não adianta substituir a terapia individual pela terapia de casal. É como se alguém estivesse forçado a falar, como se alguém estivesse forçado a compor dissidências, quando essa pessoa não demonstra vontade para fazer isso em sua vida espontaneamente.
A terapia de casal é como se a parte ofendida quisesse ter legitimidade, já que não é ouvida, já que não é acolhida, já que não é amparada no seu dia a dia. E o amor depende muito mais de se colocar no lugar do outro, de não querer magoar o outro.
Entender que aquela pessoa é fundamental em sua vida e que, sem ela, a sua vida estaria com a metade da graça. E ele não notou isso. E não foi apenas uma traição: foram traições ao longo dos anos. Sabendo que magoava, machucava alguém que sempre aceitaria de volta.
O grande problema da traição é que quem sofre sempre se acha culpado. Acha culpado porque não deu tempo, acha culpado porque não se sente bonito, porque não se sente atraente. Não entende que a culpa é absolutamente do outro.
A responsabilidade é do outro. A escolha foi do outro. O traído se sente rejeitado. E, por incrível que pareça, por um certo descaminho da mente, quer provar o seu valor. E fica junto mais tempo, muito mais tempo do que o necessário.
Deveria ter se despedido antes, porque já é uma relação neurótica, é uma relação de submissão, é uma relação triste, de dependência.
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