
Leitora acreditava que o casal deve se bastar e que a dedicação total ao relacionamento é a maior prova de afeto. Porém, ao priorizar exclusivamente o parceiro, ela acabou se afastando de amigos, familiares e de seus próprios sonhos, acreditando que o amor exige essa entrega absoluta.
Agora, ela se vê em um dilema sobre os limites dessa renúncia e se o isolamento a dois é saudável. Em busca de um conselho, ela recorreu ao Carpinejar.
Confira a opinião do colunista no episódio desta semana do Desafio Sentimental.
No Desafio Sentimental GZH dessa semana, leitora acredita que basta o relacionamento, que o casal se basta, não precisa de mais nada.
Lamento informar que não. O relacionamento não pode ser a sua única fonte de felicidade. Você não pode se isolar dos amigos, da família, do seu entretenimento, dos seus prazeres, de quem você era antes da relação.
Uma pessoa não pode ser o seu mundo. Uma pessoa não pode substituir o seu mundo. Porque senão você vai depender exclusivamente dela. Suas preocupações, suas esperanças, suas expectativas. Você vai cobrar tudo dela. É injusto com quem está ao seu lado, que terá que ser a sua família, os seus amigos, o seu lazer. E é injusto consigo mesmo, porque você, a partir dali, deixará de ser, de fazer qualquer coisa para si mesmo. Tudo será para o casamento.
É uma infelicidade, pois você estará praticando a cultura da escassez. É uma conformação, uma acomodação, uma passividade. Bastando que você tenha um marido, bastando que você tenha um emprego, bastando apenas com o que você tem, não o quanto você gosta daquilo, ou quanto você amplia as suas possibilidades ou tem a sua liberdade.
Você está trocando a sua liberdade por um amor. O nome disso é dependência. Você não diz mais não, aceita tudo, porque se você perder o relacionamento, você não vai ter mais nada. Você sofre com qualquer discussão, já antecipando um possível fim, porque se a relação terminar, você não tem mais nada.
Você colocou todas as suas fichas num único número. E não é uma questão de sorte ou azar. É rifar a sua existência. Você não terá nem mais o que contar para o outro, porque seu mundo se resume a um ou dois elementos. Você não sai mais, você não exercita a sua curiosidade, você não conversa com os outros, fica confinada dentro de casa, sempre esperando ser chamada para algum programa pelo marido.
E se o marido não sai, você não sai, porque tudo tem que ser feito a dois, é uma prisão dentro de um comodismo, você não pode aceitar migalhas, que são migalhas, porque quem manda na sua vida, quem autoriza a sua vida, quem diz o que você tem ou não tem que fazer é uma outra pessoa, não é você.
Tudo é feito para o casal, pelo casal. Você não tem mais sonhos pessoais, você não tem mais objetivos pessoais, você não tem mais um círculo de contatos para poder se socorrer, para pedir uma segunda opinião. Você vive na sombra de um fiador. Não pode dar certo, não pode ser feliz. Se o romance acabar, você não terá nem a quem recorrer, pois o seu mundo virou o casamento. Pense nisso.
Quer compartilhar seu dilema amoroso? Escreva para o escritor. Sua mensagem pode aparecer na coluna nos próximos dias.






