
Após quatro meses longe do marido, uma leitora conseguiu a reconciliação, mas ele decidiu contar que se envolveu com outra pessoa enquanto estavam separados. O que deveria ser um gesto de transparência acabou se tornando um "fantasma", já que ele não quer revelar quem foi a pessoa. Agora, isso assombra a relação, gerando paranoia, ciúme e uma crise de confiança.
Em busca de orientação sobre como lidar com essa confissão desnecessária, ela escreveu ao Carpinejar.
Confira a opinião do colunista no episódio desta semana do Desafio Sentimental.
No Desafio Sentimental GZH desta semana, a leitora fala que ficou separada do seu marido por quatro meses e que ele inventou de contar que ficou com alguém durante o período do afastamento. Quando você se separa de alguém, aquilo que aconteceu durante a separação não pode ser contado de jeito nenhum. Não conte. Esqueça, você estava solteiro, não foi uma infidelidade. Não foi uma traição, não foi uma mentira, não foi um engano, você não trapaceou ninguém.
Quando você se reconcilia, não tem que ficar detalhando o que você fez ou deixou de fazer com quem se encontrou ou se ficou sofrendo ou não ficou sofrendo. Zera o cronômetro, zera o placar, zera o histórico. Você não pode ser cobrado ou julgado por algo que aconteceu quando não estavam juntos. É uma doideira ser sincero e transparente, criando fantasmas, paranoia, ciúme e possessividade de um tempo em que você não devia explicações.
Que você não tinha essa necessidade de reportar a alguém o que você andava fazendo. Ele errou ao expor que teve um envolvimento com alguém próximo. Ele errou. Não tem que ficar tirando a limpo os seus carnavais. Não tem que ficar tirando a limpo as suas aventuras. Não tem que ficar tirando a limpo as suas saídas e os seus casinhos. Se voltou, é porque o amor venceu. Não é para ficar contando vantagem ou desestabilizando o outro, o seu par, com histórias vividas.
Se ele errou ao contar, ele vai ter que contar quem foi. Agora não tem mais como sair dessa encrenca. E não sei se o relacionamento vai sobreviver à verdade. É uma verdade absolutamente desnecessária, que não precisava ser mencionada. Mas como ele, num afã de ser sincero, reportou um romance... E se for alguém do prédio? E se for uma amiga? E se for um contato frequente que vocês vivem saindo juntos?
Olha o tamanho da enrascada, o beco sem saída. Não é pra contar o que você fez no verão passado, quando não estavam mais juntos. Mas se você contou, agora terá que arcar com as consequências. Não tem como viver nesse mistério, nesse suspense. Pois toda pessoa que se aproximar será suspeita.
Quer compartilhar seu dilema amoroso? Escreva para o escritor. Sua mensagem pode aparecer na coluna nos próximos dias.





