
Leitora passou por dois términos de relacionamento. O primeiro, após um casamento que durou 15 anos, foi respeitoso e nasceu dele uma amizade. O segundo, porém, a faz duvidar do amor. Após cinco meses, o parceiro a traiu. Agora, ela pergunta se ainda é possível estabelecer novas relações de confiança após uma traição.
Confira a opinião do colunista no episódio desta semana do Desafio Sentimental.
No Desafio Sentimental GZH, nessa semana, a leitora viveu um casamento de 15 anos e terminou com respeito e amizade. Depois, namorou alguém por cinco meses e foi traída. E me pergunta: como confiar no amor novamente? Qual foi a diferença entre seu casamento vivido e seu namoro?
Intimidade.
No primeiro, você conhecia bem a pessoa. No segundo, mal a conhecia. O único antídoto para viver uma boa relação é a confiança. E confiança só vem com o tempo, fazendo tudo aos poucos, devagar. Tanto que eu defendo o Procon do Amor. Você tem o direito de reclamar de fraudes sentimentais. Entendo que todo mundo tem seus defeitos. São naturais os ajustes e as dificuldades de adaptação numa convivência. Mas não é o seu caso.
Você foi traída no início de um relacionamento. A pessoa, com certeza, é reincidente. Ela se envolve para enganar. É um episódio do Procon do Amor. E sempre tem o mesmo modus operandi, que é surgir simpática, apaixonada, parecer que tem disponibilidade integral, conversar sem parar durante duas semanas, primeiros meses, mostrar-se afim de um relacionamento sério, até usar a pessoa e descartar.
Não dá pra entender porque uma pessoa entrou com um vínculo se ela não queria isso. E quem é traído fica pensando se fez algo de errado. O traído ainda se culpa, demora a perceber que não cometeu nenhum equívoco, apenas se envolveu com a pessoa errada. Foi um estelionato amoroso. Só que você fica com culpa porque você estava bem intencionado.
Quem é mal intencionado não tem culpa. Repare, você pode ficar pensando que não foi atraente o suficiente, que não foi bonito o suficiente, que não foi inteligente o suficiente, porque foi trocada.
Não, a pessoa vivia traindo. Em outras relações faziam o mesmo. Ela não entra em nenhum relacionamento, na verdade. Ela fica na porta. E temos que evitar essas seduções baratas, rápidas, fulminantes, dando preferência para a amizade. Entender que a pessoa precisa ser amiga antes de ser namorada.
A única prevenção ao golpe é a intimidade. Dar tempo para conhecer realmente o outro, a família do outro, os amigos do outro. Evitar a precipitação. E não acreditar jamais num milagre em sua vida, num encaixe. Não somos legos. Tudo que é perfeito demais no início é falso. Você precisa considerar que o amor é construção. E você voltará a acreditar, porque é você que está construindo. Você não entrou em nenhuma casa pronta e imobiliada.
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