
Parece difícil, mas não é impossível para o Inter evitar o rebaixamento. São duas vitórias para não depender da filantropia dos resultados paralelos.
Esta é a semana D contra a B para os colorados, num jogo de letrinhas que vai sugar nossa atenção integral. Vamos fingir que estamos trabalhando, vamos fingir normalidade só na expectativa da partida com o São Paulo na quarta-feira (3) e Bragantino no domingo (7). Um confronto fora e outro em casa, exatamente com os mesmos adversários do Vitória, um dos postulantes à continuidade na elite. Não pensaremos em mais nada. Desculpe, Beatriz. Desculpe, poesia. Desculpe, família. A calculadora virou nosso relógio combatendo o descenso.
Para quem se encontra receoso, o passado vem nos mostrar que já estivemos muito pior. Já experimentamos a nossa Batalha dos Aflitos no Beira-Rio. A situação atual é um luxo em comparação com 1999.
Naquele Brasileiro, o Internacional terminou na 16ª posição, a primeira acima da zona. Escapou da degola em um certame dramático com o Palmeiras, vencido por 1 a 0 com um gol de Dunga. Um gol de cabeça do capitão do tetra nacional — coisa rara em sua carreira —, um ídolo perto de se aposentar, aos 35 anos, num lance quase invisível, aos 36 minutos do segundo tempo.
O improvável aconteceu. Foi no último momento, no último instante, no estertor da esperança. Eu estava presente e não respirava. Até o esbarrão da testa do volante na bola, em cobrança de falta, vivíamos a mais inapelável eliminação. Um desvio salvou a nossa rota, num ano péssimo, em que perdemos o Gauchão para o Grêmio de Ronaldinho Gaúcho e fomos desclassificados da Copa do Brasil sofrendo goleada de 4 a 0 para o Juventude.
Eu comia as unhas entre quarenta mil torcedores agônicos, no inesquecível e traumático dez de novembro.
Os refletores do estádio foram apagados aos 46 minutos do segundo tempo, após o técnico do Inter, Leão, ter sido expulso.
Nossa direção negou que ordenara o blecaute.
Transcorridos alguns minutos de paralisação, a luz voltou e o embate pôde ser encerrado.
Enfrentávamos a poderosa esquadra Parmalat liderada por Luiz Felipe Scolari, com elenco de estrelas formado por Marcos, Arce, Zinho, Paulo Nunes, Evair e Asprilla, que disputaria em seguida o Mundial Interclubes, em Tóquio, ombreando com o Manchester United.
Não era um São Paulo de hoje, que levou seis do Fluminense, nem um Red Bull Bragantino, absolutamente irregular.
Naquela temporada, definia-se a queda pela média obtida entre o ano vigente e o anterior. Na rodada final, o Colorado competiria com Gama, Botafogo-RJ, Sport, Juventude, Botafogo-SP e Paraná. Para não se sujeitar à bondade do destino, precisava superar os paulistas.
Usamos e abusamos de todas as artimanhas psicológicas e catimbas para enervar o oponente.
O duelo começou com 14 minutos de atraso. Alegou-se um reparo tardio da rede rasgada de uma trave, mas a verdade é que queríamos acompanhar pelo radinho os placares que nos interessavam.
Talvez por isso, os fanáticos mais velhos, como eu, tenham uma sobrevida emocional na fé. Testemunhamos infernos mais escaldantes. Se os gremistas se proclamam imortais, somos eternos.
Alucinar é a nossa realidade. Eu acredito na permanência do Inter na Série A. Sirvam nossas façanhas de modelo para esse início tenso e engajado de dezembro.

