
Às vezes, a reconciliação é mais bonita do que o começo do namoro.
Às vezes, a volta por cima é mais bonita do que a invencibilidade.
Às vezes, o choro da gratidão é mais bonito do que o riso.
Às vezes, o alívio é mais bonito do que a celebração.
Às vezes, sobreviver a um único dia é mais bonito do que uma década.
Às vezes, concluir a prova é mais bonito do que romper com o peito a faixa de chegada.
Às vezes, um gesto é mais bonito do que um discurso.
Às vezes, olhar de novo é mais bonito do que enxergar tudo de primeira.
Às vezes, o perdão é mais bonito do que a admiração.
Às vezes, a rasura é mais bonita do que a folha em branco.
Às vezes, a humildade é mais bonita do que a confiança.
Às vezes, a mudança de rota é mais bonita do que aquilo que foi planejado.
Às vezes, não ter acontecido algo pior é mais bonito do que uma lembrança feliz.
Às vezes, permanecer é mais bonito do que triunfar.
Às vezes, o fio de esperança é mais bonito do que o sol, iluminando sem queimar.
Às vezes, o suspiro é mais bonito do que o grito.
Às vezes, o colo é mais bonito do que o abraço.
Às vezes, a cicatriz que fecha é mais bonita do que a pele intacta, desprovida de vida.
Às vezes, a resiliência é mais bonita do que a facilidade.
Às vezes, a confissão das fraquezas é mais bonita do que a demonstração de força.
Às vezes, não saber dançar é mais bonito do que uma coreografia.
Às vezes, seguir adiante na escada é mais bonito do que pisar nos degraus do pódio.
Às vezes, do medo lapidamos o caráter.
Às vezes, do perigo vem a mais bonita caridade.
Às vezes, do horror do precipício nascem as mais bonitas pontes.
Às vezes, do fundo do poço brotam as mais bonitas plantas.
Às vezes, sair do desespero é a mais bonita saudade.
Às vezes, a reparação é a mais bonita sinceridade.
Às vezes, é desmoronando que descobrimos os alicerces nas ruínas. O que deve ser. O que deve ficar. Como precisamos agir. O que não pode mais ser tolerado. O que é insalubre repetir. E assim os erros se transformam em aprendizado, o sangue fervendo retorna ao calmo suor.
No domingo (7), testemunhamos uma alcateia colorada contra o Bragantino, um bando de lobos com fome, com fúria inigualável. Soltaram-se da coleira doméstica das expectativas e das cobranças. Atacaram juntos, defenderam juntos. Um era todos, todos eram um só.
Não significou uma vitória magra, mas 3 a 1, com gols de Mercado, Alan Patrick e Carbonero, numa catarse de um ano desgraçado.
Nunca, em nenhum momento do passado do Campeonato Brasileiro de pontos corridos com 20 clubes, um time havia superado o rebaixamento estando na 18ª posição na última rodada. O Inter conseguiu. Não fez apenas história, mas salvou a sua história.
Eu estava lá, eu vi, paramentado com o sudário como um dos vinte mil torcedores colorados que acreditaram até o fim, que não anteciparam a queda, que não se renderam às estatísticas, que não se conformaram antes da hora, que jamais desistiram de cantar, que controlaram os resultados paralelos e vibraram com o Palmeiras e o Botafogo.
Abel Braga saiu da sua aposentadoria para que seu trabalho feito anteriormente de campeão do mundo não se perdesse com o descenso. Veio sem salário para os dois confrontos que faltavam. Os amigos o acharam inconsequente, mas o nome disso é coragem.
Operou mais um milagre. Tinha que ser assim a sua última partida na casamata. Dolorida, redentora. Por puro amor.
Ele já é uma estátua, parte das pedras indeléveis do Beira-Rio.



















