
Leitora relata que não conseguiu entender o fim repentino de um namoro de um ano e sete meses. Ambos na faixa dos 50 anos, ela foi surpreendida pelo término unilateral: ele a acusou de egoísmo, bloqueou contatos e se recusou a conversar. Magoada e sem saber como lidar com a situação, a mulher entrou em contato com o Carpinejar.
Confira a opinião do colunista no episódio desta semana do Desafio Sentimental.
A leitora diz não entender o fim do relacionamento: ambos na faixa dos 50 anos, um ano e sete meses de namoro, e ele termina alegando que ela é egoísta, que só pensa nela, que não teria condições de continuar desse modo e bloqueia, exclui e não dá nem chance de uma conversa.
É o final unilateral, o tradicional final egoísta de um relacionamento. Não importa o tempo vivido, a bagagem, a cumplicidade, tudo o que foi entregue ao longo da convivência. A pessoa faz a sua justificativa e vira as costas e não dá chance para a contrapartida.
Não acredite em nada que é dito no término de um romance. Ou a pessoa não quer ter o trabalho de dizer o que realmente aconteceu, o que está sentindo e fala a culpa é minha, não tem nada a ver com você, ou vai para o outro extremo e culpabiliza o outro, dizendo que tudo está terminando porque o outro não deu atenção, não foi presente.
Quando acontece o segundo caso, é uma projeção do que você sente e pratica. Quando ele diz que você foi egoísta, é ele que foi egoísta e foi tão egoísta a ponto de não dar o direito do contraponto, de não querer conversar a respeito, estabelecer um tempo para uma nova tentativa, para uma mudança e você que não está errado, se acha sempre errado.
Quem está certo, sempre se acha errado. Sempre acha que poderia ter dado mais para o relacionamento. E quem está errado, culpa o outro, numa transferência contumaz de responsabilidade. É inversão. Ele projeta em você tudo o que fez e ainda quer sair por cima. Ele ainda quer sair de um relacionamento não assumindo a sua autoria pelo fim.
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