
Como se entregar para um novo namoro após o término? Qual é o momento certo? Quanto de mim posso doar? Será que quero mesmo um novo relacionamento ou apenas mostrar que superei. Esses momentos de nossa vida costumam ser acompanhados por uma infinidade de dúvidas, que nem sempre têm resposta certa.
Ao perceber-se em uma situação semelhante e precisado de um conselho, leitora escreveu para Carpinejar.
Confira a opinião do colunista no episódio desta semana do Desafio Sentimental.
A leitora, depois do divórcio, tenta o relacionamento, não consegue se entregar, idas e vindas, e quer tentar novamente, mas ela não está preparada para o novo. O que isso indica?
Existe uma gincana quando você se separa de alguém para ver quem será feliz primeiro, quem vai se casar primeiro, quem vai remontar, reconstruir a vida primeiro. E nem se nota essa comparação. Você entra numa disputa com seu ex ou com a sua ex para tentar dar a volta por cima, para novamente se encontrar, para seguir com seu sonho romântico, para achar um par que diga de modo indireto o que o outro perdeu, o quanto o outro desperdiçou a chance.
Quando você realiza isso, ainda está preso ao antigo relacionamento, pois você vive para o passado, não para o futuro. Você vive para superar o passado, para dar um troco, para se vingar, não para cuidar da sua saúde emocional e acolher os seus limites passo a passo, num processo natural de reabilitação. Porque ninguém pode sair emendando relações. Você vai ter um sofrimento, vai ter um luto, vai se sentir estremecido, estranho, desajeitado, até recuperar a sua autonomia e independência.
Por que essa nossa leitora não consegue emplacar esse namoro? Porque não ama, não deseja essa figura. Ainda não conseguiu se recuperar da queda, do tombo, da desilusão. E força uma barra para se acertar com alguém, talvez apenas para mostrar ao seu ex que ela pode ser feliz. E por mais que ela insista em retomar o namoro, não vai se entregar, porque não tem o que entregar.
Não está sentindo nada, não está afim de casar novamente. Ela depende de uma trégua, de um respiro, de um tempo sozinha para redimensionar as suas escolhas, para redefinir as suas prioridades. Em vez de ficar reagindo ao relacionamento anterior, ela deve aproveitar a sua solteirice. Não colocar ninguém dentro de um relacionamento se você não tem certeza. Não ocupar um lugar porque você tem medo de ficar sozinha.
Há cadeiras que ficarão vazias. Você deve entender que não tem nada a ver com o que o outro faz ou o que o outro oferece para você. Quando não há amor, não tem o que fazer. Não tem como iniciar um romance esperando que o amor venha com o tempo. O tempo só traz mais desculpas.
Quer compartilhar seu dilema amoroso? Escreva para o escritor. Sua mensagem pode aparecer na coluna nos próximos dias.




