
O gaúcho é apaixonado por xis, esse tudo maravilhoso dentro do pão prensado na chapa.
Nem o hambúrguer ou o cachorro-quente fazem tanto a nossa cabeça.
Santa Maria assume a dianteira para se tornar a capital do nosso patrimônio gastronômico. Consolidou o Festival do Xis, que tem início nesta sexta-feira (14) e vai até domingo (16), na Gare, a antiga estação ferroviária revitalizada.
Serão vinte quiosques disputando títulos em duas categorias: “tradicional destaque”, avaliada por voto popular, e “sabor inovação”, julgada por uma comissão de especialistas.
Haverá comensais indo de trailer em trailer, numa migração degustativa insaciável.
Santa Maria já possui os pré-requisitos para lançar a moda. São 650 estabelecimentos com histórico no serviço, o que não é pouco para uma população de 270 mil habitantes. Quem é de lá certamente bateu cartão-ponto no Xis do Bira, no Gulosão, no X-bom, no Santa Fé e no Art Lanches.
Pelo apetite da organização da terceira edição do evento, que espera 35 mil pessoas, a festa ainda vai entrar no Guinness Book. Pode apostar. É o despertar de uma dinastia.
Nossa principal sobrevida nas madrugadas gaudérias não é mais considerada um mero lanche. Vem sendo oficializada no dia a dia. O banquete portátil começa a vigorar como almoço, com as honrarias de uma refeição completa.
Para quem é de fora, precisamos explicar a iguaria: um PF (prato feito) entre duas fatias de sanduíche, o equivalente ao tropeiro mineiro condensado ou a uma variação escandalosa do portenho choripán.
O mais conhecido é o salada: carne, ovo, tomate, alface, maionese e milho. Mas todos os cardápios recebem homenagem, de strogonoff com batata palha a lasanha com camadas de queijo e presunto.
Num misto-quente gigante, repetem-se as etapas de um churrasco. Assim o vivente desfruta da oportunidade de matar a saudade do espeto corrido e devorar um X-coração ou um X-lombo. Não encontrará a coragem desse recheio em nenhum outro lugar.
Não é recomendado, pela etiqueta xucra, o uso de talheres. Enfrenta-se o desafio com a boca, munido de ingênuos guardanapos.
A mordida requer malabarismo. Não se deve mastigar de qualquer jeito, para que a obra de arte não desmorone. A afoiteza roubará o conteúdo mais valioso na primeira dentada. O alimento é muito sensível ao deslizamento.
Os joelhos necessitam de afastamento do chimarrão, os braços pedem a posição concentrada de mesa e, de modo algum, é possível virar os olhos para o lado. Apreciá-lo depende essencialmente de foco. Não dá para conversar ao mesmo tempo.
Aquele que come do xis daqui não sai mais do Rio Grande.





