
No começo da semana, representantes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediram ao Tribunal Superior Eleitoral uma liminar contra uma suposta rede de perfis falsos que estaria divulgando propaganda negativa contra pré-candidatos da direita. Segundo o relato, cerca de 20 mil contas artificiais teriam movimentado mais de R$ 20 milhões em impulsionamentos, alcançando a marca de 270 milhões de visualizações.
Mais do que um ato de campanha ou uma disputa jurídica, o episódio expõe uma das principais preocupações relativas às eleições de outubro: a batalha contra a desinformação. As mentiras envolvendo disputas eleitorais sempre existiram. Mas os boatos e fofocas de outrora ganharam força e velocidade com o desenvolvimento das redes sociais e das ferramentas digitais disponíveis para distribuição de fake news.
Nesse ano, o foco das preocupações não está só nas mentiras tradicionais, mas principalmente no uso de inteligência artificial para produzir áudios, vídeos e imagens manipuladas. Com base na IA, qualquer pessoa pode preparar conteúdo extremamente realista, simulando declarações, entrevistas ou comportamentos que jamais aconteceram. São as chamadas deepfakes. Quando esse conteúdo é replicado milhares de vezes, fica quase impossível para o eleitor comum distinguir o que é real ou manipulado.
Nessa guerra suja, não existe vestal: a desinformação é patrocinada por todos os segmentos ideológicos envolvidos na disputa. Direita, esquerda e centro. Ninguém é santo. Ciente desse cenário, a Justiça Eleitoral apertou o cerco. As novas regras proíbem deepfakes, exigem a identificação de conteúdo criado por IA e ampliam a responsabilidade das plataformas digitais. As punições vão da retirada imediata do material irregular à multa de R$ 5 mil a R$ 30 mil, passando por medidas mais severas, como cassação de registro ou diploma e até declaração de inelegibilidade.
Mas, apesar das barreiras legais, o jogo da desinformação é ágil e criativo. Sempre há um novo caminho para burlar as regras e espalhar mentiras. Nessa selva digital, cabe ao eleitor redobrar a atenção. Infelizmente, é preciso desconfiar de tudo, em especial do sensacionalismo que ataca adversários. Leia, compare, confira. Busque ajuda se for necessário. Caso contrário, corremos o sério risco de ver a democracia comprometida em sua essência.


