
Jornalista é treinado para desconfiar, investigar, apontar falhas e cobrar soluções. É da essência da profissão. Mas há momentos em que reconhecer avanços é tão necessário quanto denunciar retrocessos. É o caso da Segurança Pública no Rio Grande do Sul. Há pouco mais de uma década, o gaúcho enfrentava um cenário de medo generalizado. Crimes violentos se multiplicavam, a sensação de insegurança era cotidiana e episódios brutais escancaravam a urgência de respostas.
Foi nesse contexto que começou uma mudança de rumo, culminando em 2019 com a criação do RS Seguro. O programa, estruturado em ciência de dados, integração institucional e políticas sociais preventivas, consolidou um modelo que hoje é referência nacional e internacional. Os resultados são visíveis: nove meses consecutivos de queda nos crimes violentos contra a vida, redução expressiva em roubos, furtos e ataques a estabelecimentos comerciais, além de avanços no combate ao abigeato.
Porto Alegre, que já figurou entre as capitais mais inseguras, hoje aparece entre as três mais tranquilas do país. O RS passou a disputar o topo do ranking das unidades federativas mais seguras. O cidadão recuperou o direito básico de circular sem medo.
Nada disso, porém, significa que o crime acabou. Nem que não existem falhas, abusos ou desafios enormes pela frente. Acabar com os feminicídios, por exemplo, é um deles. Mas negar a melhora é desonestidade intelectual. Em ano eleitoral, esse sucesso enfrenta um desafio adicional, pois é comum que candidatos desdenhem do que vem sendo feito e proponham novas fórmulas para tudo.
Por isso, é fundamental que eleitores, imprensa e entidades em prol da Segurança Pública mostrem aos pretendentes ao Piratini que o RS Seguro não é mera política de governo, mas um patrimônio da sociedade gaúcha.
Por sinal, a Assembleia Legislativa pode proporcionar essa garantia. Para tanto, basta aprovar o projeto que blinda o programa contra descontinuidades e vaidades político-partidárias. Afinal, como no futebol, não se mexe em time que está ganhando. O RS Seguro demonstra que é possível virar o jogo contra o crime quando há planejamento, integração e compromisso. É uma vitória coletiva que merece ser celebrada – e, acima de tudo, preservada.




