
Pergunta rápida: você sabe quem são os suplentes dos três senadores gaúchos? Se não souber, fique tranquilo – você está longe de ser exceção. Culpa de um detalhe discreto – mas decisivo – do sistema eleitoral brasileiro. Ao votar, o eleitor imagina estar definindo um único representante. Na prática, elege também dois substitutos que quase nunca aparecem no debate público. São figuras discretas na campanha, escondidas no material eleitoral, mas com chances reais de assumir o mandato em Brasília. Não é um risco teórico.
Desde 2019, 51 suplentes ocuparam cadeiras no Senado. É um mecanismo previsto na Constituição, portanto legal, mas que levanta questionamentos. Afinal, esses nomes passam ao largo do escrutínio popular e, ainda assim, quando assumem, têm exatamente os mesmos poderes, salários e responsabilidades do eleito. Em muitos casos, os suplentes não têm trajetória política consolidada nem vínculo claro com o eleitor. São escolhidos por conveniência: financiadores de campanha, aliados estratégicos, empresários influentes – ou até familiares.
O caso do empresário Alexandre Giordano, representante de São Paulo após a morte de Major Olímpio em 2021, é ilustrativo: sem experiência prévia na política, passou a deliberar sobre temas centrais do país durante seis dos oito anos de mandato do titular eleito em 2018. Já Ciro Nogueira (PP-PI) abriu espaço para sua mãe, Eliane Nogueira, quando se licenciou para assumir como ministro-chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro em 2021. Houve várias tentativas de mudar essa regra, mas nada prosperou. Diante disso, o cidadão decide com base no cabeça de chapa, mas poderá ser representado por alguém que jamais escolheria.
Por isso, nas eleições de outubro, mais do que nunca, é importante olhar além do nome principal. Porque, no Senado, o “plano B” frequentemente vira plano A. E, voltando à pergunta inicial: os suplentes do Rio Grande do Sul são Ireneu Orth e Drica de Lucena, de Luiz Carlos Heinze (PP); Cleonice Back e Reginete Bispo, de Paulo Paim (PT); e Liziane Bayer e Coronel Andreuzza, de Hamilton Mourão (Republicanos). Nesses casos, felizmente, estamos bem servidos: todos têm trajetória política consolidada e atuação conhecida. Não são estranhos no ninho.


