
A Semana Nacional do Trânsito de 2025, em andamento no país, precisa ser mais do que uma data simbólica. Ela tem que funcionar como alerta para as tragédias verificadas diariamente em nossas ruas, avenidas e rodovias. As principais causas são conhecidas: ultrapassagens perigosas, velocidade acima do permitido, desatenção, uso do celular ao volante e, talvez a mais alarmante, a insistente combinação de álcool e direção. Mesmo com campanhas educativas, legislação rígida e fiscalização constante, muitos motoristas seguem ignorando os riscos. É cada vez mais comum ver condutores se recusando a passar pelo bafômetro ou até mesmo abandonando o próprio carro para evitar o flagrante.
Em 2024, o Brasil registrou 435 mil acidentes de trânsito, com 7,5 mil mortes — quase 50 ocorrências por hora e 20,5 óbitos por dia. A banalização desses números revela uma aceitação inconsciente de que esses sinistros são inevitáveis, consequência natural do tráfego intenso de uma frota com mais de 127 milhões de veículos. Mas não são. Cada ocorrência esconde uma história de dor: famílias enlutadas, pais e mães que não voltam para casa, crianças e adolescentes órfãos, jovens com sonhos interrompidos.
Em áreas urbanas, um dado merece atenção especial: os casos envolvendo motocicletas. Em Porto Alegre, por exemplo, um terço das 45 mortes registradas pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) no primeiro semestre tiveram motociclistas como vítimas. Além disso, as motos foram responsáveis pela morte de cinco pedestres e de um carona, com presença total de 47% nas fatalidades do período.
Diante desse triste e preocupante cenário, é inegável a necessidade de uma reação da sociedade, a começar pelo poder público, que tem a responsabilidade de investir em educação, fiscalização e infraestrutura viária. Mas nenhuma política pública será suficiente se o comportamento individual não mudar. É na atitude de cada condutor que começa a transformação.
Trânsito não é competição, não é campo de batalha. É espaço de convivência. E esse espaço só será seguro se o motorista entender o tamanho da sua responsabilidade. Nesse sentido, o tema da campanha deste ano não poderia ser mais oportuno: “Desacelere. Seu bem maior é a vida.” Que essa mensagem não seja apenas um slogan, mas um compromisso diário. A paz começa com escolhas individuais — e salvar vidas é obrigação de todos nós.




