
É muito grave tudo que estamos sabendo hoje sobre a relação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. As desconfianças já pairavam há meses, quando algumas mensagens vieram à tona, mas as revelações de hoje atingem um outro patamar.
Se fossem amigos de infância, já seria prudente que um banqueiro e um ministro da Suprema Corte não tratassem de assuntos que poderiam conter conflito de interesses. Não é o caso. Já em suas posições, ao que tudo indica, os dois se aproximaram.
Já era preocupante que a esposa de Moraes tivesse contrato milionário com Vorcaro. Isso já sabíamos e já deveria ter sido motivo de vergonha a um ministro. Ele só desconversou. Negou. Disse que era delírio da imprensa.
Agora, com mais elementos sendo publicados, é urgente que as respostas sejam dadas. Moraes tem que ser investigado e, mais do que isso, afastado. Quem confia em um juiz que não tem conduta ilibada, que se acha acima do bem e do mal, que não se aflige de estar sob suspeita? Moraes e Vorcaro tinham uma relação íntima, com direito a conselhos ao banqueiro enrolado até o pescoço pouco antes da prisão. É uma vergonha que a população precise esperar que as raposas cuidem do galinheiro.


