
É chocante cada detalhe sobre o pobre menino de três anos que foi espancado e morto após não ter dado bom dia para o pai, que se apresenta como um missionário vindo dos Estados Unidos. Nos últimos anos, a família mudou de cidade em cidade, imagino que fugindo das situações que este homem criou. Há alguns meses viviam em Viamão, na Região Metropolitana. Ouvi atentamente a entrevista do prefeito da cidade, Rafael Bortoletti, aos colegas do Gaúcha Mais na quarta-feira (8) e fiquei ainda mais atônita.
O primeiro atendimento de assistência social à família aconteceu em 26 de novembro de 2025 pelos registros da prefeitura. A criança tinha hematomas. Em janeiro, o menino quebrou o braço, mas disseram que foi em uma brincadeira com os irmãos. Os outros, aliás, também já tinham histórico de passarem por violência. O que se espera, então, que a rede de proteção faça? Proteja, ora! Mas o que secretaria e conselho tutelar fizeram na prática foi não repassar a situação adiante. Nem Polícia Civil nem Ministério Público foram notificados.
Mesmo com sete visitas, mesmo com as crianças usando pouca roupa em dias frios ou chegando à escola com fome. Mesmo assim o básico não foi feito e, de novo, a rede falhou. Rafael Bortoletti diz que abriu uma sindicância no município, mas a frase que me marcou foi que esse menino salvou os irmãos que, mesmo traumatizados e agora em um abrigo, brincam leves, sem o peso desse homem que se diz pai.





