
A casa não tinha portas dividindo os quartos, e sim cortinas. Mesmo assim, a mãe de Oliver, Mayanna Angelina Rodgers, afirmou que não ouviu as agressões ou gritos do menino. Em um primeiro momento ela disse que também era alvo de Dandre Jermaine Grayson, pai da criança.
De vítima a cúmplice, a mulher foi presa na quinta-feira (9) por ter sido conivente com o marido, também preso desde o flagrante do espancamento. No momento da prisão, o homem disse que havia dado socos no menino. No primeiro atendimento médico, no entanto, a percepção foi de que até mesmo o coração do menino ficou deslocado, tamanha a brutalidade do ataque.
A delegada Luana Medeiros confirmou no Gaúcha Atualidade desta sexta-feira (10) que há relatos de agressões há oito anos, sendo que o filho mais velho do casal tem hoje nove anos de idade. Mais do que apanhar, eles eram vítimas de tortura física e psicológica, na descrição feita pela delegada. Segundo ela, a mãe “foi omissa o tempo inteiro” e é considerada conivente.
Já o pai da criança, que confessou ter espancado o filho, afirmava que era um missionário e, nas redes sociais, se apresentava como cantor cristão. Até agora a investigação não encontrou ligação dele com nenhuma igreja aqui. A suspeita é de que se tratava de uma religião "caseira", criada pelo sogro, nos Estados Unidos, em uma linha evangélica. "Ele entendia que era um enviado de Deus e fazia essas atrocidades dizendo que ia educar as crianças", afirmou a delegada.
A família vivia de favor e vestia as crianças com camisetas de manga comprida, para que hematomas não fossem vistos. Os filhos eram inclusive orientados a não deixar que nem mesmo médicos chegassem perto deles. Na casa, havia frases com mensagens de submissão da mulher em relação ao homem.





