
O episódio do Memórias do Piratini que entrevistou Yeda Crusius (assista abaixo) provocou reações do seu vice à época, Paulo Afonso Feijó. Sem citá-lo nominalmente, Yeda trouxe à tona lembranças da relação entre eles, bastante conturbada durante os quatro anos de governo.
Na entrevista que concedeu à série com os ex-governadores, Yeda disse que quem começou as brigas foi Feijó. Segundo ela, Feijó e o marqueteiro queriam comandar a parte financeira da campanha. O ex-vice, que está longe da política desde o fim do governo, entrou em contato com a coluna para, de acordo com ele, “esclarecer inverdades”. Ele afirma que o primeiro desentendimento foi mesmo envolvendo o publicitário de São Paulo que cuidaria do marketing. Na versão do vice, Feijó foi chamado para assinar o contrato como avalista e, quando consultou o presidente do partido na época, Onyx Lorenzoni, respondeu que não assinaria.
— Era um contrato de R$ 1 milhão. Como pessoa física, eu não quis assinar e ela ficou braba — relembra.
A combinação, segundo ele, era de que a conta seria paga pelo PSDB (partido de Yeda), e não pelo PFL, legenda à qual era filiado.
Feijó também rechaça a afirmação de que eles não se conheciam antes desse arranjo de chapa. Empresário e ex-diretor de entidades, Feijó afirmou que, ao menos duas vezes, recebeu Yeda em sua empresa para pedir votos aos funcionários quando concorreu a deputada federal e a prefeita da Capital.
Quando entrou na política, o ex-vice disse que aceitou concorrer a uma vaga no Senado mesmo sabendo que não venceria Pedro Simon (do então PMDB), um dos concorrentes naquele momento. Porém, via a disputa como uma oportunidade de defender sua visão de mundo no horário eleitoral. Relembra que foi chamado em um jantar para ser convencido de que deveria aceitar ser vice de Yeda, na presença dela.
— Eu não queria ser vice dela e ela sabia disso. Não por ser ela. Não queria ser vice de ninguém — conta.
O segundo desentendimento, conforme ele, foi quando a chapa passou para o segundo turno. Yeda teria apresentado um documento pedindo para que Feijó assinasse: era uma carta de renúncia da candidatura a vice. De novo, Feijó diz que ligou para Onyx, de quem teria ouvido que não poderia assinar, pois a chapa cairia. Além disso, Yeda teria perguntado o que ele queria para renunciar.
Ela queria me alijar do processo — diz.
Feijó ainda reforça uma história que ganhou notoriedade: uma doação de campanha de R$ 450 mil, que teria sido repassada em espécie e nunca constou nas declarações oficiais. Durante o mandato, esse e outros valores apareceram em denúncias de corrupção envolvendo um esquema do Detran. Anos depois, Yeda foi absolvida no processo que investigou improbidade administrativa.
O ex-vice-governador segue sustentando que o áudio gravado em conversa com Cezar Busatto, então chefe da Casa Civil, apresentado na CPI que ocorria na Assembleia sobre fraude no departamento, não sofreu edições e que guarda o arquivo íntegro até hoje.
Na série especial, Yeda diz que nunca mais teve contato com Feijó e que cada um segue seu caminho. Ele afirmou que se frustrou com a política, perdeu tempo e se desgastou:
— Nunca tive nada contra, mas não pude fazer nada do que me propunha a fazer para contribuir com o Estado.





