Jair Soares, 92 anos, se orgulha das obras que fez e dos avanços da saúde no período que comandou o Rio Grande do Sul. Durante o tempo em que foi governador (1983-1987), o Brasil deixou a ditadura para dar início à democracia.
Com tranquilidade, conta que trabalhou sua imagem para não passar a mensagem de que poderia ser um representante da ditadura.
— Eu tinha um lastro, sem falsa modéstia — afirma, ao lembrar a experiência acumulada como ministro de João Figueiredo (Previdência Social) e secretário estadual de Saúde.
O currículo não era seu único ativo: foi a Paris comprar bronzeador, barbeador elétrico e perfumes.
— Cuidei da cor da camisa, que cor devia ter a minha face — disse ao Memórias do Piratini, acrescentando que a disciplina para não ficar doente o deixou longe do vinho. — Fiquei sem beber, só comendo churrasco — explicou.
Um dos momentos mais descontraídos da entrevista foi quando relembrou de um comício a mulheres, na Expointer, em que combinou com amigas e a esposa que, em determinado momento, elas deveriam gritar: “Lindo, lindo, lindo”. Quando isso aconteceu, o político demonstrou surpresa no palco, como se não soubesse de nada.
Como praticamente todos que passaram pelo Piratini, Jair Soares não sossegou após deixar o comando do Estado. Foi vereador, deputado estadual e federal, candidato a prefeito de Porto Alegre e aconselha políticos mais jovens. Ah, e agora é síndico (veja o trecho abaixo).
Memórias do Piratini, uma série de entrevistas que integra o Conversas Cruzadas, recebe ex-governadores do Rio Grande do Sul e o atual ocupante do cargo, Eduardo Leite, para revisitar momentos marcantes de suas gestões. Os episódios serão veiculados ao longo das próximas semanas nos canais de GZH e Gaúcha no YouTube, ao meio-dia.




