
Eu tinha apenas seis anos de idade, mas tenho muito vivo na memória o clima de Copa do Mundo de 1994. Ruas enfeitadas, jogos durante a tarde e família reunida na sala em um horário atípico. Não tinha aula, ou tinha períodos mais curtos. Lembro até do meu pai colocando uma bandeira no poste da Rua Primeiro de Março, em São Leopoldo, onde morávamos. Fiquei com medo porque era alto, mas deu certo. Lembro bem das imagens da TV nova mostrando os jogos e os deslocamentos da Seleção Brasileira e entrevistas com os jogadores. Meu favorito na época era o Branco, em uma seleção estrelada, com Romário, Dunga, Bebeto e Taffarel.
Nos Estados Unidos, assim como será a Copa que se aproxima, o Brasil fez história. O tetracampeonato do país do futebol. Depois daquele, veio somente mais um, em 2002, com outro time cheio de estrelas e nomes fortes. Agora, 24 anos depois, ainda sonhamos com mais um. Queremos o hexa e, sim, eu acho que acreditamos nele, mesmo sem tanto brilho ou entusiasmo, mesmo que a gente diga que não. É claro que a Seleção mudou, que o futebol virou negócio, que muitos jogadores só pensam em cifrão ou em badalação. É verdade também que a gente mudou. Não foram só eles. A criança de 1994 é quem precisa puxar a festa de 2026. Se não formos nós, quem vai ajudar as crianças de hoje a criarem memórias, não é mesmo?
Na minha casa, já prometi bandeirinha, pão de queijo e suco para assistirmos aos jogos do Brasil e quantos mais for possível. Provavelmente não terei uma lista de nomes de jogadores como tivemos lá, mas há com o que nos alegrarmos. Brasileiro é feliz mesmo com desmandos de Brasília, como não seria em época de mundial? Temos que esquecer o viralatismo no sentido ruim e ser os melhores caramelos que esse mundo já viu, como só a gente consegue ser.
Talvez a Copa seja um momento de diversão que nos ajude a fugir das amarguras de um país que, sim, sofre muito com desigualdade, miséria e corrupção. Não esqueceremos, porque a realidade não deixa, mas viveremos alguns dias de esperança nesse espírito de que juntos podemos mais.
Dentro desse cenário, os veículos do Grupo RBS já mostram nos últimos dias o país da Copa e, nos próximos, mais colegas vão dar seu máximo para contar as histórias sob o ponto de vista de gaúchos, nos colocando onde as coisas acontecem. Pessoas que se prepararam, que estudaram, que se dedicaram. Que se tivessem câmeras em suas casas na hora da notícia de que iriam, certamente teriam imagens como as de famílias de jogadores convocados: alegria, emoção e pulos de felicidade por ver alguém realizando um sonho. Outras dezenas ficam na base, e são tão importantes quanto os que vão. E é lindo ver também esse trabalho em equipe que emociona e informa.
Estou totalmente iludida com o hexa, mas principalmente em ver o lado bom das coisas, do futebol à vida, com mais leveza, respeito e humanidade. Será um respiro antes do período eleitoral duríssimo que se aproxima.




